Levantamento da Nexus indica forte aprovação entre millennials e geração Z, especialmente quando a mudança não implica redução salarial
Apoio cresce entre millennials quando salário é preservado
Pesquisa realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados mostra que a maioria dos brasileiros mais jovens é favorável ao fim da escala de trabalho 6×1, regime que prevê seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso.
Entre os millennials, grupo formado por pessoas de 25 a 40 anos, 73% afirmaram ser favoráveis à mudança, enquanto 17% se declararam contrários. No entanto, o cenário muda de forma significativa quando a proposta é condicionada à manutenção dos salários.
Segundo o levantamento, metade dos entrevistados que inicialmente rejeitavam o fim da escala — cerca de 9% — passam a apoiar a proposta caso a redução da jornada não implique diminuição salarial. Com essa condição, o índice de aprovação entre os millennials sobe para 82%, consolidando amplo apoio dentro da faixa etária que representa uma das principais forças do mercado de trabalho brasileiro.
Tendência semelhante aparece entre jovens da geração Z
O mesmo padrão foi observado entre integrantes da geração Z, formada por jovens entre 16 e 24 anos. Sem considerar o impacto salarial, 69% disseram apoiar o fim da escala 6×1, enquanto 22% se posicionaram contra.
Contudo, quando a hipótese de redução salarial é retirada da equação, 13% daqueles que inicialmente eram contrários mudam de opinião. Dessa forma, o apoio ao fim do regime também alcança 82% nesse grupo etário.
Pesquisa avaliou diferentes cenários sobre jornada e renda
Para obter os resultados, o levantamento apresentou duas etapas de questionamento aos entrevistados. Primeiro, os participantes foram consultados sobre serem favoráveis ou contrários ao fim da escala 6×1, sem considerar qualquer alteração salarial.
Na sequência, aqueles que se mostraram favoráveis foram questionados se manteriam a posição mesmo diante da possibilidade de redução nos salários. Já os que inicialmente se declararam contrários foram consultados se mudariam de opinião caso a diminuição da jornada não estivesse associada à redução proporcional da renda.
Entre os millennials, 35% afirmaram apoiar totalmente o fim da escala, independentemente de impactos salariais. Outros 42% demonstraram apoio apenas se a mudança não implicar perda de renda. Há ainda 5% que se declaram favoráveis, mas sem opinião definida sobre a questão salarial.
Entre os jovens de 16 a 24 anos, 31% se mostram totalmente favoráveis à mudança, independentemente da remuneração, enquanto 47% apoiam a proposta apenas se não houver redução salarial. Outros 4% afirmaram não ter posição definida sobre essa condição.
Apoio diminui entre faixas etárias mais altas
A pesquisa também aponta que o apoio à mudança diminui gradualmente entre os grupos etários mais velhos. Entre brasileiros de 41 a 59 anos, 62% se dizem favoráveis ao fim da escala 6×1, enquanto 23% são contrários.
Entre pessoas com mais de 60 anos, o índice de aprovação cai para 48%, ao passo que a rejeição atinge 25%.
Considerando o conjunto da população brasileira, 63% apoiam o fim do regime de seis dias de trabalho seguidos por um de descanso, independentemente da discussão sobre eventuais impactos salariais.
Ao analisar os resultados, o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, destaca que o fator econômico desempenha papel central na formação das opiniões.
“Quando observamos os números em detalhe, fica evidente que a renda mensal funciona como o principal fator de decisão nesse debate. Há um grupo menor, mas relevante, que apoia o fim da escala independentemente do impacto salarial, o que sugere uma mudança de valores em relação ao trabalho. Ainda assim, a maioria dos millennials adota uma posição pragmática: apoia a mudança desde que ela não implique perda de renda”, afirma.
Metodologia da pesquisa
O levantamento foi realizado pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados entre os dias 30 de janeiro e 5 de fevereiro. Foram entrevistadas 2.021 pessoas com 16 anos ou mais, distribuídas pelas 27 unidades da Federação.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

