Hoje eu me sentei comigo mesmo.
Mas, antes que você pense que isso é algo distante,
me diga: há quanto tempo você não faz o mesmo?
Não estou falando de sentar o corpo.
Estou falando de parar por dentro.
Porque foi isso que aconteceu comigo.
Sem aviso. Sem planejamento.
Um chamado silencioso, quase um sussurro, pedindo atenção.
E eu obedeci.
Talvez você já tenha sentido isso também,
aquele instante em que algo dentro de você pede pausa,
mesmo quando tudo ao redor insiste em continuar.
Foi então que comecei a revisitar a vida.
Não toda ela, seria longa demais.
Mas aquilo que sustenta os dias:
a saúde, os relacionamentos, o trabalho, a espiritualidade,
as finanças, o crescimento, o amor.
Agora eu te pergunto:
quando você olha para essas áreas da sua vida,
o que você vê?
Foi diante delas que me fiz uma pergunta simples, mas profunda:
quem sou eu aqui?
Não quem eu digo ser.
Não quem os outros pensam que eu sou.
Mas quem eu sou, de verdade, quando ninguém está olhando.
E você?
Quem é você, nesse silêncio?
Na saúde, você se cuida ou se esquece de si?
Nos relacionamentos, você está presente ou apenas aparece?
Na espiritualidade, você pratica ou só promete?
No amor, você se entrega ou se protege?
Não tenha pressa em responder.
Eu também não tive.
Porque essas perguntas não aceitam respostas rápidas.
Elas exigem verdade.
E então veio outra, inevitável:
faz sentido?
Faz sentido a maneira como você tem vivido?
Faz sentido o que você tem priorizado?
Faz sentido o papel que você desempenha todos os dias?
Fique um instante nisso.
Eu fiquei.
E, no silêncio, percebi algo que talvez você também reconheça:
não são os grandes erros que mais nos afastam de nós mesmos.
São os pequenos desalinhamentos.
Quase invisíveis.
Discretos.
Mas constantes.
E, quando a gente olha com calma, eles aparecem.
Aí vem outra pergunta:
se algo pede ajuste, o que isso pede de você?
Não como cobrança.
Mas como convite.
Há algo em você que precisa mudar?
Eu não respondi de imediato.
Continuei olhando.
Revendo escolhas, caminhos, intenções.
E, aos poucos, uma percepção se formou:
não encontrei ruptura.
Encontrei continuidade.
Percebi que, ao longo da vida, fui tentando acertar.
Nem sempre consegui, como ninguém consegue,
mas houve direção. Houve intenção. Houve verdade.
E isso faz diferença.
Hoje, aos 81 anos, posso olhar para trás sem a sensação de ter me perdido de mim mesmo.
Mas essa reflexão não é só minha.
Ela também é sua.
Porque, em algum momento da vida, seja agora ou mais adiante,
você também vai se sentar consigo mesmo
e vai se fazer essas mesmas perguntas.
E talvez a mais importante seja esta:
o que, na sua vida, realmente faz sentido?
O que permanece de pé, apesar de tudo?
O que revela quem você é, quando tudo se cala?
O que compreendo hoje é simples:
a vida nem sempre pede grandes mudanças.
Às vezes, ela pede apenas atenção.
Pede presença.
Pede pequenos ajustes.
Como quem segura o leme sem precisar mudar a rota.
E isso traz uma paz diferente.
Não a paz de quem já fez tudo,
mas a de quem reconhece que caminhou com sentido.
Não a paz da estagnação,
mas a da consciência tranquila.
Porque viver não é começar do zero o tempo todo.
Viver, muitas vezes, é olhar para o caminho percorrido
e dizer, com serenidade:
“há verdade aqui.”
E seguir.
Hoje eu termino essa reflexão assim:
com menos respostas prontas,
e mais perguntas vivas.
As minhas
e agora, talvez, as suas.
Porque há perguntas que nos empurram para frente.
E há respostas que nos permitem continuar.
Com mais consciência.
Com mais simplicidade.
E, sobretudo, com paz.

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