Ministro deve deixar o cargo nos próximos dias para iniciar articulações eleitorais; aliados já tratam candidatura como definida
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve deixar o cargo no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana para se dedicar à disputa pelo Governo de São Paulo nas eleições de 2026. A decisão, que vinha sendo discutida internamente há meses, passou a ser tratada por aliados próximos como praticamente consolidada.
A informação foi antecipada pelo jornal O Globo e posteriormente confirmada pela Folha de S.Paulo. Segundo interlocutores do ministro, Haddad pretende fazer uma breve pausa antes de formalizar a candidatura e iniciar a construção da chapa que deverá disputar o Palácio dos Bandeirantes.
Articulação política e definição de aliados
Nos bastidores, o ministro tem indicado que pretende participar diretamente da definição de seu companheiro de chapa. A pessoas próximas, Haddad costuma afirmar que o candidato a vice precisa ser alguém de sua confiança e alinhado politicamente com o projeto eleitoral.
A possibilidade de concorrer ao governo paulista ganhou força no fim de fevereiro, quando o ministro admitiu a interlocutores que avaliava seriamente entrar na disputa. Na ocasião, Haddad teve um jantar com Lula para tratar de seu futuro político. Antes disso, também participou de um encontro reservado com o presidente em São Paulo.
Entre dirigentes do Partido dos Trabalhadores, o entendimento já era de que a candidatura estava encaminhada. O presidente nacional da sigla, Edinho Silva, vinha repetindo esse diagnóstico em conversas com lideranças políticas.
Inicialmente cautelosos, auxiliares do ministro demonstravam dúvidas sobre a decisão final. Esse cenário, contudo, mudou nas últimas semanas, e hoje a avaliação predominante é de que Haddad estará na disputa.
Composição da chapa e possíveis candidaturas ao Senado
Dentro do desenho político que começa a ser discutido, as ministras Marina Silva, do Meio Ambiente, e Simone Tebet, do Planejamento, são apontadas como possíveis candidatas ao Senado por São Paulo em uma eventual chapa liderada por Haddad.
Para viabilizar esse arranjo, ambas precisariam mudar de partido. A tendência discutida entre lideranças é que Marina deixe a Rede Sustentabilidade e se filie ao PT, enquanto Tebet poderia trocar o Movimento Democrático Brasileiro pelo Partido Socialista Brasileiro.
No caso da ministra do Planejamento, seria necessário ainda alterar seu domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo.
Estratégia eleitoral e cenário nas pesquisas
De acordo com aliados, Haddad demonstrava inicialmente receio de entrar na disputa e sofrer uma nova derrota eleitoral. Lula, no entanto, defendia que o partido precisava de um candidato competitivo em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, capaz de oferecer um palanque forte ao projeto político da esquerda.
Outro fator que teria pesado na decisão foi o crescimento do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto, o que elevou a percepção de risco no cenário eleitoral.
Mesmo assim, avaliações internas indicam que Haddad segue como o nome mais competitivo do campo progressista para a disputa. Levantamento recente do Datafolha mostra que o ministro apresenta nível de conhecimento semelhante ao do atual governador paulista, Tarcísio de Freitas. Segundo o instituto, 50% dos entrevistados afirmam conhecer bem Haddad, enquanto 47% dizem o mesmo sobre o governador.
Outros nomes com alta taxa de reconhecimento incluem o vice-presidente Geraldo Alckmin, que governou São Paulo por quatro mandatos e é conhecido por 54% do eleitorado, e Simone Tebet, citada por 22%.
Disputa eleitoral em São Paulo
No cenário estimulado com cinco possíveis candidatos, Tarcísio aparece na liderança com 44% das intenções de voto. Haddad surge em segundo lugar, com 31%.
Na sequência aparecem o ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra, com 5%; o deputado federal Kim Kataguiri, também com 5%; e o comentarista político Felipe D’Avila, com 3%.
A eventual saída de Haddad da equipe econômica representará uma das principais mudanças no núcleo do governo federal desde o início da gestão Lula e abre uma nova fase na corrida eleitoral pelo comando do maior estado do país.



