Alta do petróleo e interrupção de rotas marítimas ameaçam agravar crise alimentar global, com maior impacto na África e Ásia
O agravamento do conflito envolvendo o Irã e seus desdobramentos no Oriente Médio pode empurrar cerca de 45 milhões de pessoas para a fome aguda em todo o mundo, segundo alerta divulgado pela Organização das Nações Unidas. A projeção aponta para um novo recorde de insegurança alimentar, com efeitos mais severos em países da Ásia e da África.
De acordo com o Programa Alimentar Mundial (PAM), o cenário tende a se concretizar caso as hostilidades se prolonguem até meados do ano e os preços do petróleo se mantenham acima de US$ 100 por barril.
Energia cara e cadeias de abastecimento sob pressão
A crise já começa a afetar o funcionamento das cadeias globais de suprimentos. A quase paralisação do transporte marítimo no Estreito de Ormuz, somada ao aumento dos riscos de navegação no Mar Vermelho, tem provocado elevação nos custos de energia, combustíveis e fertilizantes — fatores que pressionam diretamente o preço dos alimentos em escala global.
Atualmente, cerca de 318 milhões de pessoas já enfrentam insegurança alimentar no planeta. A ONU alerta que o mundo pode se aproximar de um cenário semelhante ao observado após o início da Guerra na Ucrânia, quando o número de afetados chegou a 349 milhões.
Efeito dominó entre energia e alimentos
Embora o atual conflito esteja concentrado em uma região estratégica para a produção de energia, e não de alimentos, especialistas destacam que a interdependência entre esses mercados amplifica os impactos.
“Sem uma resposta humanitária com financiamento adequado, isso pode se transformar em uma catástrofe para milhões de pessoas que já vivem no limite”, afirmou o diretor executivo adjunto do Programa Alimentar Mundial, Carl Skau.
O relatório aponta que as regiões mais vulneráveis são a África Subsaariana e partes da Ásia, especialmente pela dependência de importações de alimentos e combustíveis.
Regiões mais afetadas e escalada do conflito
As projeções indicam aumento da insegurança alimentar de 24% na Ásia, 21% na África Ocidental e Central e 17% na África Oriental e Austral.
O cenário de instabilidade se intensificou após ofensivas militares conduzidas por Estados Unidos e Israel contra o Irã no fim de fevereiro, com o objetivo de conter ameaças atribuídas ao regime iraniano. Em resposta, Teerã realizou ataques com mísseis e drones contra bases americanas e alvos israelenses na região, ampliando o risco de uma crise prolongada.

