Ex-banqueiro do Banco Master deixa cela de isolamento e passa a permanecer em espaço monitorado 24 horas na Penitenciária Federal de Brasília após medidas de segurança adotadas pela administração do sistema prisional
Transferência ocorre por precaução após morte de aliado
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, foi transferido na última sexta-feira (13) da cela de isolamento para a ala de saúde da Penitenciária Federal de Brasília. A mudança, segundo apuração da CNN, foi adotada como medida preventiva para “preservar a integridade física” do detento.
De acordo com policiais ouvidos pela reportagem, a decisão ocorreu após a morte de Luiz Phelipe Mourão, conhecido como Sicário, apontado como um dos principais aliados de Vorcaro e responsável por atuar ao seu lado, sobretudo em ações violentas.
Sicário atentou contra a própria vida no mesmo dia em que teve a prisão preventiva decretada. Ele chegou a ser socorrido e internado, mas morreu dias depois em um hospital de Belo Horizonte.
Monitoramento contínuo na ala de saúde
A nova cela ocupada por Vorcaro possui entre 7 m² e 8 m² e conta com monitoramento por câmeras durante todo o dia, com exceção da área do banheiro. O espaço é separado por um vidro da área destinada aos profissionais de saúde, que acompanham o detento de forma permanente.
Antes da transferência, o ex-banqueiro permanecia em uma cela individual de cerca de 9 m², equipada com cama, vaso sanitário, pia, chuveiro, mesa e assento.
Até o momento, não há definição sobre quando Vorcaro retornará à ala comum da unidade. Nessas celas, não há vigilância por câmeras; os registros de áudio e vídeo são realizados apenas em áreas coletivas e nos parlatórios.
A permanência na ala médica, portanto, garante supervisão constante sobre o preso.
Decisão partiu do Supremo Tribunal Federal
A transferência de Vorcaro para o sistema penitenciário federal foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As unidades federais de segurança máxima recebem presos considerados de alto risco, incluindo líderes de organizações criminosas, réus colaboradores e delatores que possam sofrer ameaças dentro dos presídios estaduais.
Sistema federal mantém regime de isolamento rigoroso
Nas penitenciárias federais, o regime de segurança segue normas extremamente restritivas, com o objetivo de evitar comunicação externa e reduzir riscos de articulação criminosa.
Entre as regras aplicadas, não há acesso cotidiano à televisão — os detentos podem assistir apenas aos fins de semana, com programação previamente gravada. O acesso a jornais também é proibido.
Além disso, o sinal de telefonia celular é bloqueado nas dependências da unidade e o espaço aéreo sobre o presídio permanece fechado.
Para impedir tentativas de fuga, o complexo ainda dispõe de scanners capazes de detectar escavações subterrâneas, dificultando a construção de túneis.

