Animal apresentava sinais severos de desidratação e letargia ao ser retirado de automóvel estacionado sob altas temperaturas; proprietário pode responder por crime de maus-tratos a animais no Rio de Janeiro
Uma operação de emergência mobilizou autoridades e protetores de animais no bairro de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, para o resgate de uma cadela que sobreviveu a 72 horas de cárcere no interior de um carro. O animal, que não tinha acesso a ventilação adequada, água ou alimento, foi localizado por pedestres que notaram sua movimentação debilitada e o odor proveniente do veículo.
A intervenção ocorreu após seguidas tentativas de localizar o proprietário do automóvel. Com o apoio da Polícia Militar e de agentes de proteção animal, o vidro do veículo foi quebrado para permitir a retirada imediata da cadela, que já não conseguia se manter em pé.
O perigo do confinamento térmico
Especialistas alertam que o interior de um carro estacionado funciona como uma estufa, elevando a temperatura interna a níveis letais em poucos minutos, mesmo em dias nublados. No caso de Copacabana, a exposição prolongada por três dias colocou o animal em um estado crítico de hipertermia e choque calórico.
“A resistência do animal foi heroica. Em situações normais de calor no Rio, poucas horas seriam suficientes para causar falência de órgãos”, explicou um veterinário que acompanhou os primeiros socorros. A cadela foi encaminhada a uma clínica próxima, onde recebeu hidratação intravenosa e passou por exames para avaliar possíveis danos renais e neurológicos decorrentes da privação hídrica.
Implicações legais e o crime de maus-tratos
O abandono de animais em veículos é tipificado como crime de maus-tratos pela legislação brasileira (Lei 14.064/20), que prevê penas de dois a cinco anos de reclusão, além de multa e proibição da guarda.
A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) instaurou um inquérito para identificar o responsável. Testemunhas afirmam que o carro estava parado na mesma vaga desde o início da semana, sem qualquer sinal de assistência ao animal. Se condenado, o tutor perderá definitivamente a tutela da cadela, que deverá ser colocada para adoção responsável após sua plena recuperação.
Como agir em casos semelhantes
Autoridades reforçam que a população deve intervir ao presenciar animais em situação de risco em veículos:
- Identificação: Tente localizar o dono em estabelecimentos próximos.
- Denúncia: Acione imediatamente a Polícia Militar (190) ou a Guarda Municipal.
- Registro: Filme ou fotografe a situação para servir como prova no processo judicial.
A cadela, que recebeu o nome provisório de “Vitória” pelos resgatistas, segue em observação e apresenta resposta positiva ao tratamento clínico, embora seu estado ainda exija cautela.


