Boletim médico aponta recuperação da função renal e redução parcial de marcadores inflamatórios; ex-presidente permanece internado após diagnóstico de broncopneumonia
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou melhora em parte de seu quadro clínico nas últimas 24 horas, segundo boletim médico divulgado nesta segunda-feira (16). De acordo com a equipe do hospital DF Star, em Brasília, houve recuperação da função renal e redução parcial dos marcadores inflamatórios, o que indica resposta positiva ao tratamento com antibióticos.
Apesar da evolução clínica, os médicos informaram que ainda não há previsão de alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Bolsonaro foi hospitalizado na sexta-feira (13), após exames confirmarem um quadro de broncopneumonia. Conforme o boletim, ele permanece sob acompanhamento intensivo e continua realizando sessões de fisioterapia respiratória e motora.
Infecção pulmonar foi provocada por broncoaspiração
Segundo informações do hospital, a broncopneumonia diagnosticada atinge os dois pulmões e teria sido causada por um episódio de broncoaspiração — situação em que conteúdo do estômago, saliva ou alimentos acabam alcançando as vias respiratórias e os pulmões.
O ex-presidente foi transferido para o hospital após apresentar mal-estar enquanto cumpria pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. A remoção foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Na decisão que permitiu a transferência para atendimento hospitalar, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que Bolsonaro apresentou sintomas súbitos ainda na cela.
“Bolsonaro apresentou quadro súbito de mal-estar em sua cela e, após avaliação clínica inicial realizada no próprio local, foi constatada a necessidade de remoção hospitalar”, escreveu Moraes.
Moraes restringe visitas durante internação
A decisão do STF também estabeleceu regras para o período de internação. Bolsonaro poderá ser acompanhado no hospital pela esposa, Michelle Bolsonaro, e receber visitas dos filhos Flávio, Carlos, Jair Renan e Laura, além da enteada Letícia.
O ministro determinou ainda que a segurança do ex-presidente seja mantida de forma permanente, com monitoramento 24 horas e a presença de pelo menos dois policiais militares na porta do quarto hospitalar.
A decisão também proíbe a presença de celulares, computadores ou qualquer dispositivo eletrônico que não esteja diretamente relacionado ao tratamento médico.
Outras visitas somente poderão ocorrer mediante autorização judicial expressa, conforme estabelecido pelo STF.
Histórico de problemas de saúde
Esta não é a primeira vez que Bolsonaro é atendido no hospital DF Star desde que começou a cumprir pena. Em 7 de janeiro, ele esteve na unidade para realizar exames após sofrer uma queda na prisão e bater a cabeça.
Dias antes, havia passado por uma cirurgia para correção de hérnias na região da virilha, além de outros procedimentos médicos para tratar episódios persistentes de soluço.
Desde o atentado a faca sofrido durante a campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro enfrenta uma série de complicações de saúde relacionadas ao sistema digestivo e abdominal, o que já levou a diversas cirurgias ao longo dos últimos anos.
Defesa insiste em prisão domiciliar por razões humanitárias
A equipe de defesa do ex-presidente voltou a pedir ao Supremo Tribunal Federal a concessão de prisão domiciliar por motivos humanitários, argumentando que o estado de saúde do ex-presidente pode ser agravado pela permanência no regime fechado.
O pedido, porém, foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes, que considerou que as instalações da unidade onde Bolsonaro cumpre pena oferecem assistência médica adequada.
A decisão foi criticada por familiares do ex-presidente. Em publicação divulgada nas redes sociais no início do ano, o vereador Carlos Bolsonaro afirmou que as medidas impostas pelo ministro “violam garantias constitucionais básicas” e expõem o pai a riscos.
Flávio Bolsonaro volta a criticar decisão do STF
Após a nova internação, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a defender que o pai cumpra a pena em casa e criticou a recusa do Supremo em conceder o benefício.
“Mais uma vez, reforço aqui, que estão brincando com a vida do meu pai. Não dá mais pra ficar com essa postura de achar que isso aqui é algum tipo de frescura, ou ficar com essa paranoia de que ele pode fugir, cumpra-se a lei. O mínimo que ele deveria ter é essa domiciliar humanitária em casa, onde ele pode ter cuidado permanente da família”, declarou.
O advogado de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, também se manifestou nas redes sociais e reiterou o pedido de transferência para prisão domiciliar. Segundo a defesa, o sistema prisional não teria condições de oferecer o acompanhamento médico necessário.
Cunha Bueno também citou o caso do ex-presidente Fernando Collor, que recebeu autorização para cumprir pena em regime domiciliar por razões de saúde, como argumento para reforçar o pedido apresentado ao Supremo.
(Com BBC NEWS BRASIL)

