Enquanto aliados europeus articulam cúpula com cerca de 40 países, Donald Trump afirma que acordo com o Irã está próximo
Sob pressão dos Estados Unidos, França e Reino Unido lideram, nesta sexta-feira, uma reunião internacional com aproximadamente 40 países para debater a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia. O encontro ocorre em meio ao aumento das expectativas de um acordo para encerrar o conflito envolvendo o Irã.
O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que as negociações avançaram e que um entendimento pode ser firmado em breve. “Vamos ver o que acontece. Mas acho que estamos muito perto de fazer um acordo com o Irã”, afirmou a jornalistas. Segundo ele, caso o pacto seja formalizado em Islamabad, há possibilidade de participação presencial.
A capital paquistanesa, que sediou conversas recentes, registrou presença reforçada de tropas nas vias de acesso nesta sexta-feira. Apesar disso, não houve interrupção do tráfego nem ordens para fechamento do comércio, como ocorreu em encontros anteriores.
Conflito e impacto global
A ofensiva militar conduzida por forças de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, já deixou milhares de mortos e agravou a instabilidade no Oriente Médio. Um dos principais efeitos do conflito foi a paralisação quase total do Estreito de Ormuz, corredor por onde circula cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo.
O cenário acendeu alertas sobre um possível choque energético de grandes proporções. O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo as projeções de crescimento global nesta semana e advertiu para o risco de recessão caso a crise se prolongue.
Esforço diplomático e pressão internacional
A reunião liderada por franceses e britânicos busca demonstrar apoio à retomada da navegação na região, mas condiciona qualquer ação ao fim das hostilidades. O objetivo, segundo comunicado enviado aos países convidados, é reforçar o compromisso com a liberdade de navegação e o respeito ao direito internacional.
A mobilização ocorre após críticas de Trump a aliados da OTAN, acusados de não se envolverem diretamente no conflito. O presidente norte-americano tem defendido maior participação internacional nas ações contra Teerã.
Atualmente, o Irã mantém restrições severas ao tráfego no estreito, permitindo a passagem majoritária apenas de embarcações próprias. Em resposta, Washington impôs bloqueios a navios com destino ou origem em portos iranianos. Como consequência, o fluxo marítimo caiu drasticamente — de uma média superior a 130 embarcações por dia para um volume reduzido desde o início da guerra.
Reação dos mercados
A perspectiva de avanço nas negociações teve reflexo imediato nos mercados financeiros. Bolsas internacionais operaram próximas de máximas históricas, enquanto os preços do petróleo se mantiveram abaixo da marca de US$ 100 por barril, sinalizando alívio temporário entre investidores.
Com informações da Reuters



