Resultados mais recentes mostram recuo em disciplinas essenciais e ampliação das desigualdades educacionais no país
Desempenho em disciplinas estratégicas
O desempenho dos estudantes brasileiros de 15 anos no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), exame aplicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), segue em patamar de estagnação. Os dados mais recentes apontam recuo nas pontuações de matemática e leitura em comparação com o ciclo de 2022, evidenciando a persistência de gargalos estruturais no ensino médio nacional.
Nas áreas consideradas estratégicas para a formação acadêmica e inserção no mercado de trabalho moderno, o indicador brasileiro registrou perda de dois pontos. Em matemática, a média nacional recuou de 379 para 377 pontos, enquanto em leitura a pontuação caiu de 410 para 408. A única variação positiva ocorreu na área de ciências, cujo indicador avançou de 403 para 409 pontos. Contudo, o panorama geral reflete uma trajetória de imobilismo no rendimento escolar do país que se arrasta desde 2015.
Lacunas de aprendizagem e comparação global
O levantamento detalha limitações severas na capacidade de resolução de problemas cotidianos por parte dos alunos. Apenas 30% dos estudantes brasileiros conseguem formular representações matemáticas simples sem instruções diretas — como a conversão de valores monetários ou a comparação de rotas alternativas. Entre os países membros da OCDE, o índice de alunos com essa competência básica atinge média de 65%.
A disparidade torna-se ainda mais acentuada nos níveis de excelência acadêmica. O percentual de alunos no Brasil que alcançam os patamares mais elevados de proficiência em matemática é expressivamente baixo, próximo de zero. Em contrapartida, nações asiáticas lideram o topo do indicador global: Cingapura registra 37% de estudantes nos níveis mais altos, seguida por Taiwan (32%), Coreia do Sul (23%) e Japão (22%).
Desigualdades se ampliam no sistema educacional
Além das lacunas cognitivas genéricas, a avaliação internacional acendeu alertas em relação à equidade do sistema educacional brasileiro. Entre os ciclos avaliados de 2022 e 2025, registrou-se um aumento na distância de desempenho entre os estudantes de maior e menor rendimento, aprofundando o fosso socioeconômico no ambiente escolar e desafiando as políticas públicas de nivelamento do ensino.




