Mostra em homenagem aos 81 anos do artista e ao seu Jubileu de Platina fica em cartaz no Palácio Maguito Vilela até 15 de setembro
Trajetória marcada pela poesia visual
Há artistas que registram o tempo. Roblim prefere colecioná-lo, lapidá-lo e devolvê-lo ao mundo em forma de poesia visual. Nascido em Boa Viagem, Pernambuco, o artista encontrou ainda menino, nas paisagens do interior brasileiro, uma escola sem paredes ou limites. Ao desembarcar em terras goianas, fez das margens do Rio das Almas um ateliê vivo e pulsante. Ali, o garoto contemplativo aprendeu a decifrar a delicadeza das folhas, o movimento ritmado dos peixes, o voo livre dos pássaros, a força ancestral das árvores e o silêncio profundo que habita o coração do cerrado.
Muito antes de ter acesso às tintas convencionais, a necessidade de expressão falava mais alto do que a escassez. Com recursos improvisados, a criação emergia do chão que pisava: seus primeiros traços ganharam vida com graxa de sapato, revelando a alma de um mestre capaz de extrair o extraordinário daquilo que para muitos parecia invisível.

“A arte nunca foi para mim apenas uma escolha, mas a forma mais sincera que encontrei para respirar e agradecer pela existência. Cada cor que misturo e cada matéria que moldo carregam o cheiro da terra, a luz do sertão e a lembrança de onde vim”, revela o artista plástico Roblim.
As casas simples, as taperas esquecidas pelo vento, as figuras populares de mãos calejadas, a fauna vibrante e os pequenos gestos do cotidiano povoam a sua produção não como meros registros, mas como territórios de afeto puro. Em cada criação, a imagem ultrapassa a moldura e conversa intimamente com a alma do espectador, resgatando memórias que pareciam adormecidas.
Técnica em relevo e múltiplos suportes
Sua renomada técnica em relevo tornou-se uma assinatura estética inconfundível no cenário das artes. Nas mãos de Roblim, a matéria ganha corpo, ganha relevo e passa a dialogar de forma quase mística com a luz, criando sombras e texturas que parecem aprisionar a própria essência do tempo. Radicado em Goiânia, ele construiu um acervo denso e plural. Além da pintura, manifesta sua genialidade em esculturas expressivas, carrancas imponentes, máscaras cheias de simbolismo, cerâmicas e peças trabalhadas em pedra e madeira, transitando entre suportes sem jamais perder a identidade poética.
A grandiosidade e a sensibilidade dessa trajetória ganham agora um palco à altura. Em celebração ao seu Jubileu de Platina, o público pode conferir a exposição “ROBLIM 2026 – O Colecionador de Tempos – Joias do Cerrado – 81 anos de Vidas – 70 anos de Artes”.
“Trabalhar na curadoria desta exposição é como organizar um mapa de emoções humanas. O acervo de Roblim não celebra apenas a técnica impressionante, mas a generosidade de um homem que transformou oito décadas de vivências em um patrimônio afetivo e cultural inestimável para Goiás e para o Brasil”, destaca a curadora Risney Lima.
A condução estética da mostra busca conectar essa riqueza de linguagens ao olhar do público. “A proposta da direção artística foi criar uma experiência imersiva na qual a luz e a expografia permitam ao visitante sentir a textura do tempo expressa em cada obra de Roblim”, afirma o diretor artístico Ruber Rosha.
A mostra, que reúne uma síntese arrebatadora de suas raízes, memórias e constante olhar para o futuro, permanece aberta para visitação no saguão da Assembleia Legislativa de Goiás, no Palácio Maguito Vilela, até o dia 15 de setembro.
“Quando olho para tudo o que fiz nestes 70 anos de caminhada artística, percebo que não guardei nada só para mim. Deixei meu coração em cada obra para que as pessoas encontrem ali um pedaço de suas próprias histórias”, reflete Roblim.
Mais do que retratar lugares e paisagens, Roblim constrói pontes de pertencimento. Suas obras lembram ao público que certas imagens recusam o papel de meros adornos em uma parede: elas escolhem, silenciosamente, morar para sempre dentro do peito de quem as contempla.
Serviço:
Exposição: Roblim, o colecionador de tempos
Local: Assembleia Legislativa do Estado de Goiás – Hall Palácio Maguito Vilela
Entrada: Gratuita
Data: até dia 15 de setembro.





