Presidente americano afirma que novo tratado superará o pacto de 2015, enquanto delegações se deslocam para o Paquistão sob tensão em Ormuz
A dois dias do encerramento do prazo para o cessar-fogo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou otimismo quanto à assinatura de um novo pacto nuclear com Teerã. Em declarações publicadas nesta segunda-feira (20/04), o republicano afirmou que o documento em elaboração será superior ao Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), firmado em 2015, e previu que o entendimento final ocorrerá “relativamente rápido”. A movimentação ocorre em um cenário de fragilidade diplomática, acentuada por incidentes navais recentes no Golfo de Omã.
Críticas internas e aposta no protagonismo de JD Vance
A postura de Trump, contudo, enfrenta resistência no cenário doméstico. Parlamentares democratas e especialistas em segurança nuclear alertam para os riscos de se apressar discussões sobre um tema técnico e geopolítico de alta complexidade. Em resposta, Trump utilizou suas redes sociais para reforçar a convicção na nova estratégia:
“O ACORDO que estamos fazendo com o Irã será MUITO MELHOR do que o JCPOA, comumente chamado de ‘Acordo Nuclear com o Irã'”, escreveu o presidente norte-americano.
Para chefiar a segunda rodada de negociações, o governo americano enviou uma delegação liderada pelo vice-presidente JD Vance. O grupo deve desembarcar em Islamabad, no Paquistão, ainda nesta noite. Trump reiterou ao jornal New York Post a importância do encontro, declarando: “As negociações devem acontecer. Presumo que ninguém esteja jogando neste momento”.
Impasses no Estreito de Ormuz e risco ao cessar-fogo
O ponto nevrálgico que ameaça a estabilidade regional continua sendo o controle do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. A tensão escalou após um ataque americano a um navio iraniano no último fim de semana, colocando em xeque a manutenção da trégua prevista para expirar na próxima quarta-feira (22/04). O controle desta rota é vital para a economia global, dada a imensa fatia do petróleo mundial que transita pela via.
Embora o governo iraniano ainda não tenha confirmado oficialmente o envio de sua comitiva ao Paquistão, o tom do presidente Masoud Pezeshkian sinaliza uma abertura cautelosa ao diálogo, apesar das recentes apreensões de cargueiros iranianos pelos EUA no Golfo de Omã.
Diplomacia sob pressão
O mandatário iraniano defendeu que, embora o país resista às ameaças externas, o uso de canais diplomáticos é a ferramenta necessária para evitar um conflito de proporções maiores.
“A guerra não é do interesse de ninguém e, mesmo resistindo às ameaças, qualquer via racional e diplomática deveria ser percorrida para reduzir as tensões”, afirmou Masoud Pezeshkian, conforme registrado pela agência estatal Irna.
O sucesso das conversas em Islamabad é visto por analistas como a última oportunidade de evitar a retomada das hostilidades diretas e garantir a livre circulação de insumos energéticos, em um momento em que a economia internacional aguarda com expectativa o desfecho do braço de ferro entre Washington e Teerã.

