Detenção na Flórida ocorre por questões imigratórias, enquanto ex-deputado segue como foragido da Justiça brasileira após condenação do STF
Detenção nos Estados Unidos mobiliza autoridades brasileiras
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi detido nesta segunda-feira (13) por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE), conforme informado pela Polícia Federal. A abordagem ocorreu em Orlando, no estado da Flórida, e, segundo integrantes da corporação brasileira, está relacionada a questões migratórias.
De acordo com essas fontes, a detenção não guarda vínculo direto com a condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que tornou Ramagem foragido da Justiça brasileira após sua saída do país.
Condenação no Brasil e permanência no exterior
Aliado político da família Bolsonaro, Ramagem deixou o Brasil no ano passado e passou a residir nos Estados Unidos. Ele foi condenado pelo STF à perda do mandato parlamentar e a 16 anos e um mês de prisão por participação em uma tentativa de golpe de Estado no final do governo de Jair Bolsonaro (PL).
Desde então, sua permanência em território norte-americano vinha sendo monitorada pelas autoridades brasileiras, sobretudo após sua classificação como foragido.
Versões divergentes sobre a abordagem
O blogueiro Paulo Figueiredo, aliado de Ramagem, apresentou uma versão distinta sobre o episódio. Segundo ele, o ex-deputado não teria sido formalmente preso, mas detido após uma abordagem inicial relacionada a uma infração leve de trânsito, sendo posteriormente encaminhado ao órgão de imigração.
“Essa é, neste momento, uma questão meramente imigratória. Porém, o status de Ramagem é legal: ele possui um pedido de asilo pendente, protocolado há tempos e ainda sob análise, o que lhe permite permanecer legalmente nos Estados Unidos até a decisão final do caso — que é demorada, mas tem tudo para ser deferida”, afirmou.
Até o momento, a defesa do ex-parlamentar não se pronunciou oficialmente.
Repercussão política e posicionamento de aliados
Em nota, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que acompanhará o caso “com máxima atenção” e destacou que a situação envolve garantias institucionais.
“Confiamos no bom senso das autoridades dos Estados Unidos para compreenderem o contexto em que se insere este episódio, marcado por um cenário de forte tensão política no Brasil”, declarou.
Saída do Brasil e desdobramentos judiciais
Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, Ramagem teria deixado o Brasil de forma clandestina, atravessando a fronteira com a Guiana. Posteriormente, estabeleceu-se em um condomínio de alto padrão na Flórida.
Durante o período em que ainda mantinha o mandato, ele chegou a participar de sessões legislativas remotamente, amparado por atestado médico.
Em dezembro, o ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura do processo de extradição. No mesmo período, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados formalizou a cassação de seu mandato, o que permitiu o avanço das ações judiciais no STF.
Investigações e crimes relacionados aos atos de 8 de Janeiro
Parte das acusações contra Ramagem está associada aos eventos de 8 de janeiro, incluindo crimes como dano qualificado mediante violência, prejuízo ao patrimônio da União e deterioração de bens tombados.
O julgamento de alguns desses crimes chegou a ser suspenso enquanto ele ainda exercia o mandato parlamentar, sendo retomado após sua cassação.
Cancelamento de documentos e manifestações de aliados
A Câmara dos Deputados também determinou o cancelamento do passaporte diplomático de Ramagem e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que igualmente se encontra nos Estados Unidos.
Outro aliado, o blogueiro Allan dos Santos, manifestou apoio em redes sociais. “Nenhum perseguido por Moraes ficará desamparado. Rezem por Ramagem, que tudo será resolvido. As leis americanas são bem claras e tudo será conduzido dentro das leis americanas”, escreveu.
(Com Folha de S.Paulo)



