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Trump aciona Tóquio sobre Taiwan após alerta de Xi Jinping: tensão entre potências escala com Washington no centro

Redação
15 de maio de 2026 às 17:07
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Trump aciona Tóquio sobre Taiwan após alerta de Xi Jinping: tensão entre potências escala com Washington no centro

Gerardo Lissardy
Role,BBC News Mundo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, interrompeu sua viagem de Pequim aos EUA com uma ligação estratégica à primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. O objetivo era compartilhar os detalhes das negociações de dois dias com o presidente chinês, Xi Jinping — nas quais a ilha de Taiwan emergiu como o ponto mais crítico, sem que ambas as partes chegassem a um consenso.

A reação do Japão ao cenário de tensão em Taiwan

Takaichi, historicamente alinhada a uma postura mais dura contra a China, já havia declarado em 2025 que o Japão interviria militarmente em caso de invasão chinesa a Taiwan. Ao receber o relato de Trump sobre a resistência chinesa à qualquer movimento separatista taiwanês, a premiê reafirmou, em nota posterior, que a segurança da ilha é uma prioridade de segurança nacional para Tóquio. A afirmação não passou despercebida em Pequim, onde o Ministério das Relações Exteriores chinês emitiu um comunicado alertando que “qualquer interferência externa será respondida com força”.

O que Xi Jinping exigiu — e o que Trump não prometeu

Durante as reuniões em Pequim, Xi Jinping deixou claro que Taiwan é um assunto de soberania não negociável, segundo declarou Trump em coletiva ao lado de jornalistas. O líder chinês teria dito ao presidente americano que, caso os EUA continuassem a vender armamentos à ilha ou a apoiar suas aspirações independentes, a China não hesitaria em usar “todos os meios necessários” para garantir a reunificação — um eufemismo para intervenção militar, na interpretação de analistas ouvidos pela ClickNews.

Trump, por sua vez, evitou compromissos definitivos. Em tom ambíguo, afirmou que ainda conversará com o presidente taiwanês, Lai Ching-te, antes de tomar uma decisão sobre o futuro das relações com a ilha. “Tenho que falar com a pessoa que está governando Taiwan agora, você sabe quem é”, declarou, sem esclarecer se o encontro já está agendado ou quais seriam as consequências de um eventual apoio mais explícito a Taipei.

O histórico que alimenta a crise

A disputa por Taiwan remonta a 1949, quando forças do Kuomintang — partido nacionalista chinês derrotado na guerra civil pelo Partido Comunista — se refugiaram na ilha. Desde então, o status quo tem sido mantido por uma política de ambiguidade estratégica: Washington reconhece oficialmente a China continental, mas fornece armas a Taiwan e mantém laços não oficiais com Taipei. Pequim, por sua vez, considera a ilha uma província rebelde e não descarta o uso da força para reintegrá-la ao território nacional.

Analistas ouvidos pela ClickNews destacam que a escalada atual não se limita a uma questão territorial. “Trata-se de uma batalha pela influência na Ásia-Pacífico”, avalia o professor de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo, Ricardo Mendonça. “Se os EUA reforçarem o apoio a Taiwan, a China pode interpretar como uma provocação direta. Se recuarem, Taiwan pode sentir-se abandonada.”

Próximos passos: o que esperar da diplomacia

Enquanto Trump não define sua postura definitiva, o governo chinês já sinalizou que não tolerará novas vendas de armamentos a Taiwan. Em resposta a especulações sobre um possível bloqueio naval à ilha, o porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Tan Kefei, afirmou que “a China está pronta para defender sua soberania a qualquer custo”.

Do lado japonês, Takaichi anunciou a realização de exercícios militares conjuntos com os EUA nas próximas semanas, em um movimento que Pequim classificou como “provocativo”. A União Europeia, por sua vez, emitiu um comunicado pedindo moderação, mas sem oferecer um papel mediador claro — o que reforça a percepção de que o conflito, se eclodir, será resolvido em Washington, Pequim e Tóquio.

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