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Protestos massivos na Bolívia: bloqueios paralisam La Paz e ameaçam governo de Rodrigo Paz

Redação
15 de maio de 2026 às 16:19
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Protestos massivos na Bolívia: bloqueios paralisam La Paz e ameaçam governo de Rodrigo Paz

Foto: agenciabrasil.ebc.com.br

Desde o início de abril, a Bolívia vive uma crise política sem precedentes nos últimos anos

 

A promulgação da Lei 1.720, que autoriza a conversão de pequenas propriedades em médias para facilitar o acesso a créditos agrícolas, desencadeou uma onda de protestos que se espalhou por todo o país. O movimento, inicialmente liderado por indígenas e campesinos, ganhou força com a adesão de sindicatos, professores e mineiros, transformando-se em uma das maiores mobilizações contra o governo de Rodrigo Paz, empossado há apenas seis meses após quase duas décadas de hegemonia da esquerda boliviana.

O estopim: quando a lei de terras virou símbolo de uma crise maior

Aprovada pelo Parlamento em março e promulgada em 10 de abril, a Lei 1.720 foi apresentada pelo governo como uma solução para reativar a economia boliviana, assolada por crises cambiais e escassez de dólares. Segundo o Executivo, a medida buscaria impulsionar a agricultura ao permitir que pequenos proprietários acessem financiamentos anteriormente restritos a médias e grandes fazendas. No entanto, a proposta rapidamente se tornou um ponto de ruptura.

Para movimentos indígenas e campesinos, a lei representa uma ameaça direta aos territórios comunitários originários (TCOs), reconhecidos constitucionalmente. A doutoranda em ciência política da USP Alina Ribeiro, especialista em Bolívia, alerta que a conversão de terras tituladas em propriedades médias poderia expor essas comunidades à especulação imobiliária e à perda de controle sobre territórios historicamente coletivos. “Eles não querem perder o que é deles por direito”, afirmou Ribeiro à Agência Brasil. “O governo poderia ter facilitado o crédito para pequenas propriedades sem mexer na estrutura fundiária.”

Marchas épicas e bloqueios que paralisam o país

A mobilização começou com marchas de mais de 400 quilômetros, vindas de regiões como Pando e Beni, no norte amazônico do país. Em menos de um mês, os manifestantes — inicialmente compostos por indígenas e campesinos — foram se juntando a setores como a Central Operária Boliviana (COB), que declarou greve geral “por tempo indeterminado”. Os bloqueios de estradas já duram quase 30 dias, isolando La Paz e pressionando o governo.

A COB não se limita a exigir a revogação da lei. O sindicato acusa as forças de segurança de repressão violenta e detenções arbitrárias de lideranças, incluindo professores e mineiros. “Este governo não escuta o povo”, declarou um porta-voz da central sindical. “Exigimos também o fim da criminalização dos protestos e um diálogo real.”

Um governo em xeque: entre reformas e resistência

Rodrigo Paz, ex-governador de Santa Cruz e eleito em outubro de 2023, herdou um país dividido. Seu projeto de governo, pautado em reformas econômicas liberais, contrastava com o modelo estatista de seus antecessores, como Evo Morales. No entanto, a Lei 1.720 expôs a fragilidade de sua estratégia: enquanto setores empresariais agrícolas comemoravam a possibilidade de expansão de créditos, a base social que o elegeu — composta majoritariamente por indígenas e campesinos — sentiu-se traída.

Analistas políticos ouvidos pela ClickNews destacam que a crise atual não é apenas sobre terras, mas sim sobre legitimidade. “Paz não tem cacife político para impor mudanças estruturais sem consenso”, avaliou um pesquisador da Universidade Maior de San Andrés, em La Paz. “A Bolívia não é mais um país unificado em torno de um projeto. Hoje, cada grupo age segundo seus interesses.”

O que esperar agora: cenários possíveis

Os próximos dias serão decisivos. A COB mantém a greve geral, enquanto o governo tenta mediar um diálogo com os manifestantes. No entanto, a recusa inicial em revogar a lei — mesmo sob pressão — sinaliza que Paz pode estar disposto a enfrentar o desgaste político. Por outro lado, a radicalização dos protestos e a crescente adesão popular sugerem que a crise está longe de se resolver.

Um possível desfecho seria a revogação parcial da lei, com concessões mínimas para acalmar os ânimos. Outra hipótese, mais arriscada, é a do endurecimento do governo, que poderia agravar a instabilidade. O que parece certo é que a Bolívia enfrenta não apenas uma crise de governança, mas uma redefinição do contrato social que moldará o futuro do país andino nos próximos anos.

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