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Acelen inicia em semanas mega biorrefinaria de US$ 3 bi para produzir 1 bilhão de litros de biocombustível ao ano

Redação
15 de maio de 2026 às 13:17
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Acelen inicia em semanas mega biorrefinaria de US$ 3 bi para produzir 1 bilhão de litros de biocombustível ao ano

Foto: Leo Garfinkel

O salto estratégico da Acelen no mercado global de biocombustíveis

A Acelen, controladora da Refinaria de Mataripe (BA), anuncia para as próximas semanas o início das obras de uma das maiores biorrefinarias do Brasil, com capacidade produtiva de 1 bilhão de litros de biocombustíveis anuais. O empreendimento, orçado em US$ 3 bilhões, priorizará a produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação) e diesel verde, posicionando o Brasil como player-chave na transição energética global — especialmente nos mercados norte-americano e europeu, onde a demanda por combustíveis de baixa emissão já é uma realidade regulatória.

Segundo Marcelo Lyra, vice-presidente de Comunicação ESG e Relações Institucionais da empresa, o projeto está em “reta finalíssima” de especificação de engenharia e preparação para o início da construção. “Mais algumas poucas semanas e anunciaremos oficialmente o início das obras. Estamos numa fase extremamente avançada”, declarou Lyra durante o 3º Fórum Biodiesel e Bioquerosene, em São Paulo. A expectativa é que o complexo entre em operação em 2026, com cronograma de 2,5 anos para conclusão.

SAF e diesel verde: os pilares da operação brasileira

A unidade, instalada ao lado da Refinaria de Mataripe, terá capacidade para produzir 20 mil barris de SAF por dia quando atingir a maturidade operacional. O combustível, já utilizado por grandes companhias aéreas como LATAM, United Airlines e Air France-KLM em rotas internacionais, deve ser o carro-chefe do projeto. Para o diesel verde — alternativa renovável ao diesel fóssil —, a Acelen projeta uma produção alinhada às metas de descarbonização da matriz energética brasileira, ainda dependente de combustíveis fósseis em setores como transporte pesado e geração termelétrica.

Lyra destacou que 80% da produção já está comprometida por meio de contratos de off-take — acordos que garantem a compra futura do produto antes mesmo de sua geração. “Temos garantias de escoamento para o exterior, o que reduz significativamente os riscos do projeto”, afirmou. A estratégia reflete a crescente pressão por combustíveis sustentáveis imposta por regulamentações como o ReFuelEU Aviation (UE) e o CORSIA (ONU), que impõem metas de redução de emissões para a aviação internacional.

A macaúba e a garantia de uma cadeia 100% sustentável

Um dos diferenciais do projeto é o compromisso com a origem sustentável das matérias-primas. A Acelen já iniciou um programa de plantio de 180 mil hectares de macaúba — palmeira nativa do Brasil com alto teor oleaginoso — em áreas degradadas do Cerrado e da Caatinga, abrangendo Bahia e Minas Gerais. A iniciativa inclui parcerias com pequenos e médios agricultores, com foco em mão de obra local e técnicas de agricultura regenerativa.

“O óleo será produzido em terras 100% degradadas, sem desmatamento ou competição com culturas alimentares”, explicou Lyra. A escolha da macaúba, além de sua alta produtividade (até 4 toneladas de óleo por hectare/ano), reduz a dependência de importações de óleo de palma — historicamente associado a problemas socioambientais na Ásia e na América Latina. A empresa também utilizará óleo de soja, UCO (óleo de cozinha usado) e gorduras animais, diversificando a matriz de insumos.

Impacto econômico e ambiental: o que esperar da nova era industrial

Com o start das obras previsto para maio ou junho, o projeto promete gerar cerca de 2 mil empregos diretos durante a construção e, na fase operacional, outros 500 postos de trabalho qualificados. Além disso, a Acelen projeta um faturamento anual de US$ 1,2 bilhão com a venda dos biocombustíveis, contribuindo para a balança comercial brasileira — hoje deficitária em combustíveis.

Do ponto de vista ambiental, a biorrefinaria evitará a emissão de 2,5 milhões de toneladas de CO₂-equivalente por ano, segundo projeções da empresa. “Este é um marco para a indústria nacional, que passa a liderar a produção de biocombustíveis avançados no hemisfério Sul”, afirmou Lyra. A expectativa é que o complexo fortaleça o ecossistema de biocombustíveis no Brasil, atraindo investimentos para outras regiões do país — como o Centro-Oeste, onde já há estudos para instalação de unidades similares.

Os desafios à frente: logística e concorrência internacional

Apesar do otimismo, especialistas alertam para dois gargalos principais: a infraestrutura logística para escoamento da produção — especialmente para o SAF, que requer transporte refrigerado — e a concorrência com gigantes como a Neste (Finlândia) e a UOP Honeywell (EUA), já estabelecidas no mercado global de biocombustíveis avançados. “O Brasil tem vantagem competitiva pela abundância de matéria-prima, mas precisa agilizar portos e dutos para não perder oportunidades”, avalia o engenheiro químico Fernando Figueiredo, consultor em energia renovável.

A Acelen, contudo, já sinaliza parcerias com terminais portuários baianos e mineiros para viabilizar a exportação. “Nossa localização estratégica, próxima ao Porto de Ilhéus, é um diferencial”, afirmou Lyra. O sucesso do projeto dependerá, portanto, da capacidade de execução em tempo recorde — algo que, se concretizado, poderá redefinir o papel do Brasil na geopolítica dos combustíveis do futuro.

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