Autoridades mantêm monitoramento na costa nordeste e orientam população a buscar áreas elevadas diante da possibilidade de novos abalos e deslizamentos
As autoridades do Japão emitiram um novo alerta nesta segunda-feira (20) sobre a possibilidade de ocorrência de terremotos de grande magnitude nos próximos dias. O aviso ocorre após um forte tremor registrado no mar, ao largo da costa nordeste do país, que também levou à emissão de alertas de tsunami.
De acordo com a Agência Meteorológica do Japão, esse tipo de comunicação é considerado um procedimento padrão após eventos sísmicos de grande intensidade. O terremoto mais recente atingiu magnitude 7,7, com profundidade de 19 quilômetros, e teve epicentro em águas situadas a cerca de 100 quilômetros da costa de Sanriku.
Embora os alertas de tsunami tenham sido posteriormente rebaixados em parte da costa nordeste, ainda há impactos relevantes na infraestrutura. Alguns serviços de trens de alta velocidade seguem suspensos, e cerca de 100 residências permanecem sem energia elétrica, segundo autoridades locais.
Além do risco de novos tremores, o governo também reforçou o alerta para perigos secundários, como deslizamentos de terra, comuns após abalos sísmicos.
Níveis de alerta e orientações à população
O sistema japonês de monitoramento de tsunamis opera com três níveis distintos de aviso. O mais baixo, chamado de Aviso de Tsunami, é emitido quando há previsão de ondas inferiores a um metro. Nesses casos, a recomendação é que a população deixe imediatamente o mar e áreas costeiras.
Já o Alerta de Tsunami, considerado o segundo nível mais alto, indica a possibilidade de ondas de até três metros. A orientação é evacuar regiões próximas ao litoral e a rios, buscando terrenos elevados ou edificações preparadas para abrigo.
O nível máximo, denominado Alerta de Tsunami de Grande Porte, é acionado quando há expectativa de ondas superiores a três metros atingindo a costa de forma repetida.
Os alertas mais recentes abrangeram áreas como as províncias de Iwate, Aomori e regiões costeiras do Pacífico em Hokkaido. Já avisos de menor intensidade também foram emitidos para Miyagi e Fukushima.
A primeira-ministra Sanae Takaichi reforçou a necessidade de evacuação imediata das áreas afetadas. O secretário-geral do gabinete, Minoru Kihara, orientou que os moradores permaneçam em regiões afastadas do litoral até que todos os alertas sejam oficialmente suspensos.
País convive com alta frequência de terremotos

Um tsunami causou danos a uma área residencial em Suzu em 2024. Foto: Reuters / BBC News Brasil
Do ponto de vista estatístico, o Japão registra, em média, um terremoto de magnitude igual ou superior a sete a cada 16 meses. Segundo a Agência Meteorológica, o país concentra mais de 10% de todos os tremores de magnitude seis ou superior registrados no mundo.
O episódio mais recente de grande magnitude havia ocorrido em dezembro de 2025, quando um abalo de 7,6 foi registrado próximo à província de Aomori. No entanto, o evento mais devastador da história recente permanece sendo o Terremoto e tsunami de Tohoku de 2011, que atingiu magnitude 9,0, provocou um tsunami de grandes proporções, deixou mais de 18 mil mortos e desencadeou um acidente nuclear na usina de Fukushima.
Na ocasião, muitos moradores subestimaram a dimensão do tsunami e não buscaram áreas suficientemente elevadas. Desde então, o governo japonês intensificou campanhas de conscientização, destacando que até mesmo ondas de 30 centímetros podem representar risco de morte.
Monitoramento contínuo
Diante do novo cenário, o governo mantém vigilância constante e reforça a importância de que a população siga rigorosamente as orientações oficiais em caso de novos alertas. A recomendação é agir com rapidez e priorizar a segurança, especialmente em regiões costeiras e áreas de risco.
(Fonte: BBC News)



