Ação conjunta contra facção criminosa baiana provocou tiroteio e deixou cerca de 200 visitantes retidos no topo do morro, enquanto aguardavam para ver o nascer do sol
Uma operação policial realizada nesta segunda-feira (20), no Rio de Janeiro, contra lideranças de uma organização criminosa da Bahia, resultou em momentos de tensão para cerca de 200 turistas que estavam no Morro do Vidigal. O grupo, que havia subido para acompanhar o nascer do sol, ficou retido por aproximadamente três a quatro horas devido ao intenso tiroteio na comunidade.
De acordo com relatos, guias turísticos e policiais orientaram os visitantes a permanecerem no topo do morro até que fosse seguro descer. “Somos de Portugal, na Europa, não temos essas operações”, afirmou um turista português à Globonews. Outro visitante acrescentou: “Íamos sempre devagarinho para obter informações, para não haver nenhum problema. Por isso, nesse aspecto, trouxe-nos segurança e não houve tanto pânico e as pessoas foram acalmando até chegarmos embaixo. Demoramos cerca de três, quatro horas para descer”.
A operação foi coordenada pelo Ministério Público da Bahia (MPBA), em parceria com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e as polícias civis da Bahia e do Rio de Janeiro. Os alvos estavam escondidos na comunidade do Vidigal. Entre os presos está uma das principais operadoras financeiras da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), ligada ao Comando Vermelho, investigada por lavagem de dinheiro e com dois mandados de prisão em aberto por tráfico de drogas e homicídio.
Além dela, um homem foi detido em flagrante portando um fuzil, e drogas foram apreendidas. Segundo o MPBA, a ação faz parte de um trabalho contínuo de investigação para capturar 13 detentos que fugiram do Conjunto Penal de Eunápolis em dezembro de 2024 e que, desde então, estariam sob proteção do Comando Vermelho no Rio de Janeiro.
Uma turista italiana, que visitava a cidade pela segunda vez, relatou o medo vivido: “A primeira vez que isso (uma operação policial) acontece também. Estou com medo. No princípio, a gente não estava entendendo o que estava acontecendo. Eu achei que era barulho, mas aí a gente entendeu o que estava acontecendo”.
As autoridades destacam que os fugitivos continuam exercendo funções de liderança e articulando ações criminosas à distância. O monitoramento seguirá até que todos sejam capturados.


