Presidente dos EUA apaga imagem polêmica em que aparece caracterizado como Jesus
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (13) que não pretende pedir desculpas ao papa Leão 14 após críticas e polêmicas envolvendo uma publicação nas redes sociais. “O papa disse coisas que estão erradas e ele é contra o que estou fazendo no Irã, e não podemos ter um Irã nuclear”, declarou Trump em entrevista na Casa Branca.
As tensões aumentaram depois que o republicano chamou o pontífice de “terrível” e “fraco”. Além das declarações, Trump divulgou uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece vestido como Jesus, com a mão sobre a cabeça de um homem aparentemente enfermo. Horas depois, a publicação foi retirada do ar.
Reações do Vaticano e da sociedade americana
Nas últimas semanas, o papa reforçou sua posição contra a guerra, afirmando que “Deus não abençoa nenhum conflito” e que seguidores de Cristo não devem apoiar o lançamento de bombas. Em resposta às críticas de Trump, o pontífice declarou não temer o governo americano e prometeu continuar se manifestando contra a violência.
Trump justificou a postagem dizendo que acreditava se tratar de uma representação ligada à Cruz Vermelha. “Achei que fosse eu como médico e que tivesse a ver com a Cruz Vermelha, como um trabalhador da Cruz Vermelha lá, que nós apoiamos”, disse, atribuindo à imprensa a comparação com Jesus.
Críticas de conservadores
A imagem foi considerada ofensiva por líderes conservadores nos EUA. Megan Basham, escritora e comentarista cristã, classificou a publicação como “blasfêmia revoltante”. Isabel Brown, influenciadora ligada ao Daily Wire, chamou o post de “nojento e inaceitável”. Já Michael Knowles, podcaster católico, sugeriu que a exclusão da imagem seria a melhor decisão tanto por razões espirituais quanto políticas.
Riley Gaines, ex-nadadora e ativista conservadora, também criticou a falta de humildade do presidente: “De qualquer forma, duas coisas são verdadeiras: 1) um pouco de humildade lhe faria bem; 2) Deus não deve ser zombado”.
Impacto político
Eleitores cristãos, incluindo católicos, representam uma parcela essencial da base política de Trump. Em 2024, o republicano conquistou maioria entre esse público, mesmo sem frequentar a igreja regularmente.
David Gibson, diretor do Centro de Religião e Cultura da Universidade Fordham, avaliou que ainda é incerto se os católicos americanos se voltarão contra Trump. “Será que essa atitude ultrapassará um limite para eles? Será que finalmente punirão Trump e o Partido Republicano nas urnas? Este é um momento decisivo: os católicos americanos escolherão o papa ou o presidente?”, questionou.



