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Suplementos para a menopausa: benefícios científicos e limitações frente à propaganda

Redação
13 de maio de 2026 às 05:40
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Suplementos para a menopausa: benefícios científicos e limitações frente à propaganda

Foto: Redação Central

Contexto histórico e evolução do mercado de suplementos

A utilização de suplementos para gerenciar sintomas da menopausa não é recente. Desde o século XIX, com o advento da medicina moderna, substâncias como estrógenos conjugados foram introduzidas como terapia hormonal substitutiva (THS). No entanto, na década de 1990, a divulgação de riscos associados à THS, como aumento de doenças cardiovasculares, levou a uma busca por alternativas naturais. Nesse contexto, suplementos como magnésio, isoflavonas de soja e óleo de prímula ganharam popularidade, impulsionados por estudos preliminares e marketing agressivo. Nos últimos vinte anos, a indústria de suplementos cresceu exponencialmente: dados da Euromonitor International revelam que o mercado global de suplementos para a menopausa ultrapassou US$ 1,5 bilhão em 2023, com projeções de crescimento anual de 6,8% até 2030. Essa expansão reflete não apenas o envelhecimento populacional — com projeção de 1,2 bilhão de mulheres na menopausa até 2030, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) — mas também a crescente demanda por soluções não farmacológicas.

Magnésio: promessas contra sintomas vasomotores e limitações clínicas

O magnésio é amplamente divulgado como um aliado contra ondas de calor e insônia na menopausa. Um estudo publicado no Journal of Women’s Health (2018) sugeriu que mulheres com deficiência de magnésio apresentavam sintomas mais intensos. No entanto, uma meta-análise de 2021, conduzida pela Cochrane Collaboration, concluiu que não há evidências robustas de que a suplementação de magnésio reduza significativamente a frequência ou intensidade das ondas de calor em mulheres na menopausa. Além disso, a Sociedade Norte-Americana de Menopausa (NAMS) alerta que a suplementação excessiva pode causar diarreia, náuseas e, em casos extremos, arritmias cardíacas. A dose diária recomendada para mulheres na faixa etária de 51 a 70 anos é de 320 mg, mas muitos suplementos comercializados excedem esse limite, sem supervisão médica.

Cogumelos medicinais: entre a medicina tradicional e a ciência moderna

Cogumelos como o Reishi (Ganoderma lucidum) e o Shiitake (Lentinula edodes) são comercializados como redutores de fadiga e reguladores hormonais. A medicina tradicional chinesa utiliza esses fungos há séculos, mas a ciência moderna ainda busca validar seus benefícios. Um estudo piloto publicado no Menopause (2020) avaliou os efeitos do Reishi em 80 mulheres e observou uma redução de 20% nos sintomas de ansiedade, embora sem impacto significativo nos sintomas vasomotores. Outra pesquisa, da Journal of Medicinal Food (2019), destacou que os compostos ativos dos cogumelos, como os polissacarídeos beta-glucanos, possuem propriedades imunomoduladoras, mas não há consenso sobre sua eficácia na menopausa. A Anvisa, em 2022, classificou esses suplementos como “alimentos para fins especiais”, não como medicamentos, o que limita a alegação de benefícios terapêuticos.

Creatina e colágeno: foco na saúde óssea e muscular

A creatina, tradicionalmente associada ao desempenho esportivo, tem sido promovida como um meio de combater a perda muscular (sarcopenia) na menopausa. Um estudo da Journal of Cachexia (2021) indicou que a suplementação de creatina (3-5 g/dia) pode reduzir a perda de massa magra em mulheres pós-menopáusicas, especialmente quando combinada a exercícios resistidos. No entanto, os benefícios são indiretos e não específicos para sintomas climatéricos como fogachos ou alterações de humor. Quanto ao colágeno, comercializado para melhorar a elasticidade da pele e saúde articular, uma revisão sistemática da International Journal of Women’s Dermatology (2023) concluiu que, embora haja indicações de melhora na hidratação da pele com suplementação de colágeno hidrolisado, os efeitos sobre a saúde óssea — outro alvo comum na menopausa — são inconclusivos. A dose típica (10 g/dia) pode ser eficaz para a pele, mas não há consenso sobre sua capacidade de prevenir osteoporose.

Riscos do excesso de confiança em suplementos e a importância do acompanhamento médico

O apelo comercial de suplementos muitas vezes supera as evidências científicas, criando um cenário de desinformação. Um relatório da Consumer Reports (2023) revelou que 30% dos suplementos para menopausa analisados continham dosagens não declaradas de ingredientes ativos, enquanto 15% apresentavam contaminação por metais pesados. Além disso, a interação entre suplementos e medicamentos — como anticoagulantes com magnésio ou antidepressivos com isoflavonas — é pouco discutida, mas pode ter consequências graves. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) recomenda que mulheres na menopausa priorizem mudanças no estilo de vida, como dieta rica em cálcio e vitamina D, exercícios físicos e cessação do tabagismo, antes de recorrer a suplementos. A terapia hormonal, quando prescrita individualmente por um médico, continua sendo a abordagem mais eficaz para sintomas moderados a graves.

Desdobramentos regulatórios e perspectivas futuras

A regulação de suplementos varia globalmente. Nos Estados Unidos, a FDA (Food and Drug Administration) não exige comprovação de eficácia para aprovação, ao contrário dos medicamentos. Na União Europeia, a European Food Safety Authority (EFSA) é mais rigorosa, mas ainda permite alegações genéricas como “contribui para o bem-estar hormonal”. No Brasil, a Anvisa tem endurecido as normas: desde 2021, suplementos só podem alegar benefícios baseados em estudos científicos publicados e revisados por pares. Contudo, a fiscalização ainda é insuficiente. Especialistas como a endocrinologista Dra. Angela Spinola, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), alertam que a falta de padronização nos estudos clínicos — muitas vezes financiados pela própria indústria — compromete a confiabilidade dos resultados. Para o futuro, a tendência é a personalização: pesquisas em epigenética e microbioma intestinal podem levar a recomendações mais precisas, mas, por enquanto, a ciência ainda não oferece soluções definitivas.

Conclusão: cautela como palavra de ordem

A menopausa é um processo biológico natural, não uma doença, e nem todos os sintomas requerem intervenção farmacológica. Suplementos como magnésio, cogumelos, creatina e colágeno podem oferecer benefícios marginais em contextos específicos, mas as promessas de alívio rápido muitas vezes não se sustentam frente à análise criteriosa da literatura científica. A população deve ser alertada para os riscos do autodiagnóstico e da automedicação, especialmente em uma fase da vida marcada por mudanças hormonais complexas. Profissionais de saúde, por sua vez, devem assumir um papel ativo na orientação, baseando-se em evidências e evitando a prescrição indiscriminada. Enquanto a ciência não oferece respostas definitivas, a prudência — aliada à promoção de hábitos saudáveis — permanece a melhor estratégia para atravessar essa etapa com qualidade de vida.

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