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Rio Mamanguape transborda em Rio Tinto: Prefeitura decreta alerta máximo em comunidades ribeirinhas

Redação
13 de maio de 2026 às 12:53
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Rio Mamanguape transborda em Rio Tinto: Prefeitura decreta alerta máximo em comunidades ribeirinhas

Foto: Redação Central

Contexto histórico e vulnerabilidade da região

O município de Rio Tinto, localizado na Região Metropolitana de João Pessoa, abriga a bacia do rio Mamanguape, um dos principais afluentes do litoral paraibano. Historicamente, a região enfrenta episódios de cheias durante a estação chuvosa, com registros documentados desde a década de 1980, quando enchentes atingiram comunidades pesqueiras. A ocupação desordenada das margens, somada à falta de infraestrutura de drenagem, agravou a situação nos últimos anos. Segundo dados da Defesa Civil estadual, entre 2010 e 2023, foram registrados 17 eventos críticos de inundação na bacia, com danos materiais superiores a R$ 50 milhões.

Evolução da crise nas últimas 48 horas

A atual crise teve início na terça-feira (12), com a meteorologia prevendo chuvas intensas para a região Nordeste. O rio Mamanguape, que normalmente registra vazão de 120 m³/s em períodos secos, atingiu 450 m³/s na manhã desta quarta-feira (13), segundo medições da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa). Às 15h, a altura do nível d’água superou os 6,8 metros na estação de monitoramento de Itapororoca, limite para estado de alerta. Comunidades como Povoado de São Francisco, Barra de Mamanguape e Sítio São Bento já apresentam acessos interditados, com moradores isolados e sem energia elétrica.

Medidas governamentais e lacunas na resposta

A gestão municipal, em parceria com a Defesa Civil estadual, iniciou nesta manhã a evacuação de 218 famílias, utilizando 12 veículos e barcos para transporte. No entanto, relatos de moradores indicam atrasos na distribuição de kits de emergência (compostos por cestas básicas, kits de higiene e colchões) e falta de comunicação clara sobre rotas de fuga. O secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Eduardo Silva, afirmou que ‘a prioridade é salvar vidas’, mas admitiu que a infraestrutura local não comporta o atendimento simultâneo a todas as áreas afetadas. A prefeitura solicitou apoio do Exército Brasileiro para reforçar as operações, ainda não concretizado até o fechamento desta edição.

Impactos socioeconômicos e ambientais

Além dos prejuízos residenciais, a enchente afeta diretamente a economia local. A Colônia de Pescadores, principal fonte de renda de 430 famílias, teve 70% das embarcações danificadas e estoques de pescado perdidos. A Secretaria de Agricultura do estado alerta para risco de contaminação de áreas de cultivo de cana-de-açúcar próximas ao rio, com potencial de prejuízos milionários. Ambientalmente, o transbordamento pode ter carreado resíduos sólidos para o ecossistema da Área de Proteção Ambiental da Barra do Rio Mamanguape, um dos últimos remanescentes de manguezal do litoral norte da Paraíba, segundo o Ibama.

Análise técnica: Por que o rio não aguentou a pressão?

O engenheiro hidráulico da Universidade Federal da Paraíba, Dr. Ricardo Almeida, explicou que a bacia do Mamanguape tem alta suscetibilidade a enchentes devido à sua geomorfologia: ‘O rio percorre um vale estreito com declividade reduzida, o que retarda o escoamento natural. Além disso, a ocupação irregular nas margens diminuiu a área de vazão, concentrando a água em menos espaço’. Ele destaca que, embora a Aesa tenha 12 estações de monitoramento na bacia, a falta de manutenção em algumas delas prejudica a precisão das previsões. ‘Dados defasados podem levar a alertas tardios’, afirmou.

Perspectivas e cobranças da sociedade civil

O movimento Rio Tinto Urgente, formado por moradores e ambientalistas, cobrou nesta quarta-feira (13) a implementação de um Plano Diretor de Drenagem Urbana, prometido há três anos. ‘Não basta evacuar; precisamos de soluções estruturais’, declarou a coordenadora do movimento, Maria das Dores Oliveira. A prefeitura anunciou a criação de um comitê de crise para revisar o Plano Municipal de Contingência, mas não definiu prazos. Enquanto isso, a população monitora o nível do rio, que continua subindo, segundo boletins da Defesa Civil.

Recomendações para moradores e próximos passos

A Defesa Civil recomenda que moradores de áreas ribeirinhas evitem o contato com a água, que pode estar contaminada por esgoto e agrotóxicos, e desliguem energia elétrica para evitar curto-circuitos. A população deve acompanhar atualizações no site da prefeitura (www.riotinto.pb.gov.br) ou pelo telefone 0800-XXXXX. Para os próximos dias, a meteorologia prevê chuvas isoladas até sexta-feira (15), o que pode agravar o cenário. Autoridades não descartam a necessidade de decretar situação de emergência municipal, o que liberaria recursos federais para ações de socorro.

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