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Cultura

IV Mostra Arte na Maternidade chega a São Luís com manifesto cultural de mães artistas pela cidade

Redação
13 de maio de 2026 às 12:53
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IV Mostra Arte na Maternidade chega a São Luís com manifesto cultural de mães artistas pela cidade

Foto: Redação Central

Contexto histórico: a gênese do Movimento Arte na Maternidade

Fundado em 2018 na capital mineira Belo Horizonte, o Movimento Arte na Maternidade (MAM) surgiu como resposta a um vácuo estrutural na cena cultural brasileira: a invisibilização sistemática de mulheres mães no campo das artes. A iniciativa, criada pela artista plástica e pesquisadora Patrícia Borges, nasceu da constatação de que o exercício da maternidade frequentemente interrompe carreiras artísticas femininas, seja pela falta de suporte logístico para criação, seja pela ausência de políticas públicas que conciliem maternidade e produção cultural. Nos últimos cinco anos, o MAM expandiu sua atuação para além de Minas Gerais, consolidando-se como um dos poucos espaços no país dedicados exclusivamente à reinserção profissional de mães artistas.

Da capital mineira ao Nordeste: a primeira incursão do MAM fora de Minas

A escolha de São Luís como palco da IV Mostra Arte na Maternidade não é aleatória. A cidade maranhense, conhecida por sua rica tradição cultural — que vai das manifestações de bumba-meu-boi aos saraus de literatura de cordel — oferece um solo fértil para a discussão sobre arte e maternidade. Segundo dados da Secretaria Municipal de Cultura de São Luís, cerca de 62% das artistas atuantes na cidade são mães, mas apenas 18% conseguem manter produção regular. Esse cenário motivou a parceria entre o MAM e o coletivo local ‘Mães da Praia Grande’, que já desenvolvia ações de apoio a mulheres artistas no bairro histórico, para a realização do evento. A mostra, que acontece entre os dias 15 e 28 de outubro no Centro Cultural Casa da Fábrica, conta com patrocínio da Lei Aldir Blanc Maranhão e apoio da Fundação Municipal de Cultura.

Programação diversa: do experimental ao acadêmico

A IV Mostra MAM em São Luís apresentará uma grade de 24 eventos, divididos em três eixos temáticos: ‘Arte e Maternidade’, ‘Reinserção Profissional’ e ‘Criação Coletiva’. Destaque para a exposição ‘Corpos que Pariram’, com obras de 12 artistas locais e regionais que abordam, através de diferentes linguagens (pintura, escultura, performance e arte digital), as transformações físicas e emocionais da maternidade. Outro ponto alto é a oficina ‘Gestão de Projetos para Artistas Mães’, ministrada pela economista e curadora mineira Luciana Cardoso, que ensinará técnicas de captação de recursos e planejamento orçamentário para projetos artísticos. A mostra também incluirá debates com pesquisadoras da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) sobre os impactos da maternidade na carreira artística, além de apresentações musicais de mães cantoras e compositoras da região.

Desafios da maternidade no mercado artístico: depoimentos e dados

Segundo pesquisa publicada em 2023 pelo Observatório Itaú Cultural, 78% das artistas mães no Brasil relatam ter sofrido algum tipo de preconceito no meio artístico após a gestação. Dados da mesma pesquisa indicam que apenas 3% das galerias brasileiras possuem políticas de suporte a mães artistas, como horários flexíveis ou espaços para amamentação. Em entrevista exclusiva à ClickNews, Patrícia Borges, fundadora do MAM, destacou que ‘o mercado de arte ainda opera com uma lógica produtivista que ignora os tempos da maternidade’. A artista maranhense Maria do Rosário Silva, participante da mostra, relata: ‘Antes de ser mãe, minha carreira deslanchava. Depois que meu filho nasceu, tive que me afastar das exposições por dois anos. Quando voltei, ninguém mais me chamava’.

Impacto social e perspectivas de continuidade

Além da mostra em si, o MAM prevê a criação de uma rede de apoio permanente para mães artistas em São Luís, com foco em três frentes: capacitação profissional (através de parcerias com o Sebrae-MA), assistência jurídica (para questões como licença-maternidade no meio cultural) e visibilidade midiática (com a publicação de um catálogo digital das obras expostas). A coordenadora de Políticas Culturais da Prefeitura de São Luís, Ana Cláudia Lima, afirmou que ‘a iniciativa do MAM alinha-se aos objetivos do Plano Municipal de Cultura, que prevê ações de equidade de gênero no setor’. A expectativa é que a mostra atraia cerca de 5 mil visitantes, com 60% do público composto por mulheres entre 18 e 45 anos, segundo estimativas da organização.

Críticas e limitações do projeto

Embora o MAM seja reconhecido por sua atuação inovadora, críticos como a socióloga carioca Fernanda Oliveira apontam limitações na proposta. ‘O MAM é louvável, mas ainda opera dentro de uma lógica de caridade cultural, onde as mães artistas são vistas como ‘vítimas’ que precisam de ajuda, em vez de profissionais com demandas específicas’, argumenta Oliveira. Ela defende que políticas públicas mais amplas — como a implementação de creches em espaços culturais e a regulamentação de licenças-maternidade estendidas para artistas autônomas — seriam mais efetivas do que projetos pontuais. Por outro lado, defensores do MAM argumentam que a iniciativa cumpre um papel fundamental em um cenário onde o Estado ainda não oferece soluções estruturais.

O futuro do MAM e a articulação com outros coletivos

A IV Mostra Arte na Maternidade em São Luís marca o início de uma expansão planejada do MAM para outras regiões do país. Segundo Patrícia Borges, há tratativas para edições em Recife (PE), Salvador (BA) e Porto Alegre (RS) nos próximos dois anos. Além disso, o movimento estuda a possibilidade de se tornar uma associação civil sem fins lucrativos, o que permitiria a captação de recursos internacionais e a ampliação de suas ações. ‘Nosso objetivo é que, em dez anos, a maternidade não seja mais um fator de exclusão no meio artístico’, afirma Borges. Enquanto isso, em São Luís, o legado da mostra pode ser medido não apenas pelas obras expostas, mas pela construção de uma rede de solidariedade que transcende os limites do evento.

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