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Um passo acima – Por Wilton Emiliano Pinto

Jeverson
13 de maio de 2026 às 13:12
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Um passo acima –  Por Wilton Emiliano Pinto
Divulgação / ClickNews

Goiânia, 2026.
O calendário continua contando os dias.
Eu, aos oitenta e um, aprendi a contar aprendizados.

Foi assim ao refletir sobre o capítulo “Passo Acima”, do livro Alma e Coração, em meus estudos na Casa Verde. As situações ali apresentadas não são apenas desafios isolados, mas convites silenciosos para um encontro íntimo com a própria consciência.

Sobre a mesa, o velho caderno repousa em silêncio. Já não escrevo por disciplina, escrevo por necessidade. Há coisas que só se organizam quando ganham forma nas palavras.

E, com o tempo, fui entendendo algo simples e profundo:
a vida não muda nos grandes saltos.
Ela se transforma nos pequenos passos que quase ninguém vê.

Quase sempre… silenciosos.
São eles: a tentação, a ofensa, a violência, o sofrimento e a necessidade do próximo, como nos ensina a lição.

TENTAÇÃO
A tentação não chega fazendo barulho.
Ela se insinua nas pequenas escolhas:
na palavra que poderia ser evitada,
na resposta apressada,
no impulso de reagir antes de compreender.

Coisas mínimas. Mas decisivas.

Hoje percebo que o verdadeiro campo de batalha não está no mundo. Está dentro de mim.
Entre o que sinto e o que faço existe um espaço invisível.

É ali que a vida se define.

Dar um passo acima, para mim, tem sido isso:
respirar antes de reagir,
silenciar quando o orgulho pede voz,
escolher a paz quando o ego insiste em vencer.

Não parece muito.
Mas é tudo.

OFENSA
Com o passar dos anos, algumas dores diminuem de tamanho. Outras apenas se escondem.
E, no silêncio, uma pergunta permanece:
eu perdoei… ou apenas me afastei?

Porque esquecer é fácil.
Perdoar é trabalho.

Perdoar é limpar o coração sem testemunhas.
É soltar um peso que ninguém vê, mas que muda o caminho inteiro.

O perdão não altera o passado.
Mas transforma completamente o lugar de onde seguimos.
E isso muda tudo.

VIOLÊNCIA
A violência nem sempre grita.
Às vezes, ela se revela no olhar que se desvia,
na pressa que ignora,
na indiferença que se acostuma.

Esse é o maior risco: acostumar-se.
Quando deixamos de sentir, algo dentro de nós começa a desaparecer.

Por isso, faço um esforço consciente:
não endurecer.

Dar um passo acima é não desviar o olhar.
É permitir que a dor do outro ainda me alcance.
É responder com presença onde o mundo responde com ausência.

Porque o contrário da violência não é apenas a paz.
É a compaixão em movimento.

SOFRIMENTO
O sofrimento já me visitou algumas vezes.
Antes, eu perguntava: “por quê?”.
Hoje, pergunto: “para quê?”.

A dor tem dois caminhos:
ou nos fecha…
ou nos amplia.

Nem sempre posso escolher o que me acontece.
Mas sempre posso escolher o que isso faz em mim.

Algumas perdas me ensinaram mais do que muitos acertos.
Algumas quedas me revelaram forças que eu não conhecia.

Minhas cicatrizes não me diminuem.

Elas me explicam.

O OUTRO
E, no fim, sempre encontro o outro.
A vida vai afinando o olhar. A gente aprende a perceber mais, a escutar melhor, a entender que, muitas vezes, o que alguém precisa não é de respostas.

É de presença.

A caridade deixou de ser um gesto eventual.
Passou a ser uma forma de viver.

Um gesto simples, uma palavra mansa, um silêncio acolhedor,
pequenas ações sustentam grandes transformações.

Porque ninguém cresce sozinho.
E ninguém se eleva sem levar alguém consigo.

Fecho o caderno.
O mundo continua lá fora, no seu ritmo apressado.
Aqui dentro, algo caminha mais devagar… e mais consciente.

Nos ensinamentos praticados encontrei direção.
Não porque eu acerte sempre, longe disso,
mas porque encontrei um caminho seguro para recomeçar.

Hoje entendo, com mais serenidade:
dar um passo acima não é chegar a algum lugar.

É não desistir de melhorar.
É escolher melhor, mesmo quando é difícil.
É recomeçar, mesmo quando se falha.
É seguir, mesmo quando o caminho exige silêncio.

Um passo de cada vez.
Um dia de cada vez.

Porque a vida não nos pede pressa.
Pede consciência.

E enquanto houver lucidez no coração,
sempre existirá, à nossa frente,
um degrau invisível,

esperando, em silêncio,
que tenhamos coragem de subir.

Wilton caminha devagar, e escreve com a mesma serenidade.
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