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Planalto reage a decisão dos EUA sobre PCC e CV, critica Bolsonaro e alerta para possíveis impactos no Pix

Jeverson
29 de maio de 2026 às 16:21
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Planalto reage a decisão dos EUA sobre PCC e CV, critica Bolsonaro e alerta para possíveis impactos no Pix

© Getty

Governo brasileiro reforça defesa da soberania nacional, acusa opositores de incentivar interferência externa e afirma que medida americana pode prejudicar cooperação policial e econômica

 

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom nesta sexta-feira (29) ao se manifestar contra a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em nota oficial, o Palácio do Planalto classificou como “deplorável” a atuação de integrantes da família Bolsonaro junto a autoridades norte-americanas em temas relacionados à política interna brasileira.

Segundo o comunicado, a segurança pública não pode ser utilizada como instrumento de disputa política ou de interesses externos.

“A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”, afirma a nota.

Governo associa decisão americana à articulação de Flávio Bolsonaro

A manifestação ocorreu um dia após o governo dos Estados Unidos anunciar a nova classificação das facções criminosas brasileiras. A medida foi divulgada depois de reuniões realizadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, com o presidente Donald Trump e integrantes da administração americana, entre eles o secretário de Estado, Marco Rubio, e o vice-presidente JD Vance.

Na avaliação do governo brasileiro, a atuação do parlamentar representa uma tentativa de estimular ingerência estrangeira em assuntos nacionais.

“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, destacou o texto.

Planalto aponta riscos para cooperação policial e sistema financeiro

O governo também manifestou preocupação com possíveis consequências práticas da medida adotada pelos Estados Unidos. De acordo com o comunicado, decisões unilaterais podem comprometer mecanismos de cooperação internacional no combate ao crime organizado e gerar impactos econômicos.

“Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o Pix, que incomodam interesses estrangeiros”, diz a nota.

A posição oficial foi divulgada após reunião realizada no Palácio do Planalto com representantes de diversos ministérios para avaliar os desdobramentos da decisão americana.

Governo reafirma combate às facções e defesa da soberania

No documento, o Executivo federal enfatiza que o enfrentamento ao crime organizado permanece como prioridade das instituições brasileiras e ressalta que cabe exclusivamente ao país definir sua estratégia de combate às organizações criminosas.

“Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o PCC (Primeiro Comando da Capital), o CV (Comando Vermelho) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro”, registra outro trecho.

O governo conclui afirmando que a classificação e o combate ao crime devem ser conduzidos pelas instituições nacionais, sem interferência externa.

“Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país. A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.”

Lula critica atuação de autoridades americanas

Durante agenda oficial em Sergipe, o presidente Lula também comentou o episódio e fez críticas à postura adotada por integrantes do governo norte-americano e à atuação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Nós não aceitamos ser tratados como moleque. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta. Eu estive por três horas com o presidente Trump. Três horas com ele. Entreguei quatro documentos para eles. Um deles era o combate ao crime organizado. O senhor Marco Rúbio não estava lá. Possivelmente porque ele estivesse preparado para ajudar um filho de um bolsonarista que é candidato a eleição nesse país que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de ir nos EUA pedir intervenção americana no Brasil”, declarou.

Na mesma fala, Lula afirmou ter discutido ações de combate ao crime organizado com Trump e voltou a defender a prisão do empresário Ricardo Magro, ligado à distribuidora Refit.

Governo dos EUA endurece discurso contra facções brasileiras

A reunião ministerial em Brasília contou com representantes da Casa Civil, Secretaria de Comunicação Social, Ministério da Fazenda, Ministério da Justiça, Advocacia-Geral da União e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Nos últimos meses, a administração Trump tem ampliado a revisão de conceitos ligados ao narcoterrorismo e intensificado operações internacionais voltadas ao combate de organizações criminosas na América Latina.

Em publicação nas redes sociais, Marco Rubio justificou a decisão afirmando que PCC e Comando Vermelho representam ameaça regional.

“As organizações criminosas são as mais perigosas do Brasil. Seu alcance se estende por toda a nossa região e ao nosso país. A administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar o financiamento e recursos narcoterroristas.”

Antes mesmo do anúncio oficial, Flávio Bolsonaro havia informado que encontrou receptividade por parte do secretário de Estado norte-americano à proposta de enquadramento das facções como organizações terroristas. Após a confirmação da medida, o senador comemorou a decisão em suas redes sociais, classificando o episódio como um “grande dia”.

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