A escalada dos preços e o impacto do querosene de aviação
Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) revelam que o valor médio das passagens aéreas domésticas comercializadas no Brasil em maio de 2026 foi de R$ 632,53, um salto de 11,2% em comparação a maio de 2025. A alta, entretanto, é ainda mais pronunciada quando analisada em paralelo ao custo do querosene de aviação (QAV), que registrou aumento de 68,5% no mesmo período — um dos principais vetores da pressão inflacionária sobre as tarifas aéreas.
A disparada no preço do combustível, diretamente ligada à crise energética global e à desvalorização do real frente ao dólar, neutralizou os esforços do governo federal para conter os reajustes. Medidas como a redução de impostos sobre o QAV, implementadas no início de 2026, mostraram-se insuficientes diante da magnitude do problema, segundo especialistas consultados pela ClickNews.
Setor aéreo em colapso: voos em risco e retração do mercado
O cenário de alta das passagens coincide com o agravamento da crise no setor aéreo brasileiro, descrita como a pior desde a pandemia de Covid-19. Companhias aéreas enfrentam dificuldades para manter operações devido à falta de combustível e à redução drástica da demanda, com reflexos imediatos na oferta de voos e no emprego no segmento. Em entrevista à CNBC, o CEO da United Airlines, Scott Kirby, destacou a inviabilidade de operações sem acesso a combustível a preços sustentáveis: *“Sem querosene, não há como voar”*, afirmou.
Os dados da Anac, coletados mensalmente junto às empresas e submetidos a validação técnica, consideram apenas o valor do transporte aéreo, sem incluir taxas aeroportuárias ou encargos adicionais. A atualização monetária é realizada pelo IPCA, o que reforça a gravidade do cenário inflacionário atual.
Governos buscam soluções emergenciais, mas cenário segue incerto
Diante do agravamento da crise, o governo federal admitiu a retração no setor aéreo e anunciou medidas emergenciais, ainda não detalhadas publicamente. Entre as especulações estão a ampliação de subsídios ao QAV e a renegociação de contratos com refinarias, mas analistas do mercado aéreo avaliam que tais ações podem ter impacto limitado no curto prazo. A dependência de importações de petróleo e a volatilidade do câmbio seguem como obstáculos estruturais para a estabilidade tarifária.
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