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Frases que moldam: como a comunicação parental constrói adultos emocionalmente seguros

Redação
2 de julho de 2026 às 06:53
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Frases que moldam: como a comunicação parental constrói adultos emocionalmente seguros

Foto: Freepik

Comunicação acolhedora, validação das emoções e incentivo ao esforço ajudam a formar adultos mais confiantes e preparados para lidar com desafios

 

As palavras utilizadas pelos pais durante a infância exercem influência direta no desenvolvimento emocional das crianças e podem moldar a maneira como elas percebem a si mesmas, os relacionamentos e os desafios ao longo da vida. Mais do que orientar comportamentos, a forma de comunicação adotada no ambiente familiar tem impacto na construção da autoestima, da confiança e da capacidade de enfrentar dificuldades.

De acordo com a psicóloga infantil Lorraine Tonini, especialista em Análise do Comportamento Aplicada, crianças que crescem emocionalmente fortalecidas costumam viver em lares onde encontram acolhimento, respeito e afeto, independentemente dos erros ou das dificuldades que enfrentam.

“São mensagens que mostram que elas são aceitas e valorizadas independentemente do resultado. Isso fortalece o sentimento de segurança e de valor pessoal”, explica à CNN Brasil.

Frases que fortalecem a autoconfiança infantil

Segundo a especialista, desenvolver uma autoestima saudável vai muito além de distribuir elogios constantemente. O aspecto mais importante é a maneira como os pais reconhecem o processo de aprendizagem e incentivam o desenvolvimento dos filhos.

Em vez de concentrar os elogios apenas nas conquistas ou nos resultados obtidos, a recomendação é valorizar atitudes como dedicação, persistência e disposição para enfrentar novos desafios.

Entre as expressões que contribuem para esse processo, Lorraine destaca:

  • “Eu estou aqui para você.”
  • “Você consegue tentar de novo.”
  • “Tudo bem ficar triste.”
  • “Eu te amo do jeito que você é.”
  • “Você se esforçou bastante.”
  • “Percebi que você não desistiu.”
  • “Você foi muito corajoso(a) ao tentar.”
  • “O que você aprendeu com isso?”

Para a psicóloga, esse tipo de diálogo ajuda a criança a compreender que cometer erros faz parte do aprendizado e que seu valor não depende exclusivamente dos acertos ou dos resultados alcançados.

“Quando os pais valorizam o esforço, a persistência e as estratégias utilizadas, a criança tende a desenvolver mais confiança para enfrentar desafios e lidar com frustrações de forma saudável”, afirma.

Por que elogiar apenas a inteligência pode ser prejudicial

Embora os elogios sejam importantes para o desenvolvimento infantil, Lorraine Tonini alerta que um comportamento bastante comum entre pais e responsáveis pode gerar consequências negativas quando se torna frequente: destacar repetidamente que a criança é “muito inteligente”.

À primeira vista, esse tipo de comentário parece reforçar a autoestima. Entretanto, quando a inteligência passa a ser o principal motivo de reconhecimento, a criança pode sentir que precisa manter constantemente esse padrão para continuar sendo valorizada.

Como consequência, ela pode evitar situações que envolvam dificuldades ou novos desafios por receio de errar e perder a imagem de pessoa inteligente.

“Ela pode desenvolver a ideia de que suas capacidades são fixas. Assim, dificuldades passam a ser interpretadas como fracasso, e não como oportunidades de aprendizado”, explica a especialista.

Diante desse cenário, a orientação é priorizar elogios que reconheçam a dedicação, a persistência, o empenho e as estratégias utilizadas para solucionar problemas, em vez de destacar apenas características pessoais.

Atitudes simples ajudam a construir uma autoestima saudável

Além das palavras utilizadas nas conversas do dia a dia, determinadas atitudes dos pais também desempenham papel decisivo na formação da segurança emocional das crianças.

Entre as principais recomendações apresentadas pela psicóloga estão:

  • acolher e validar sentimentos como tristeza, medo e frustração, mostrando que essas emoções fazem parte da vida;
  • reconhecer o esforço empregado pela criança, independentemente do resultado obtido;
  • evitar comparações entre irmãos, colegas de escola ou outras crianças;
  • incentivar que os filhos enfrentem desafios compatíveis com a idade, favorecendo o desenvolvimento da autonomia;
  • demonstrar carinho, apoio e afeto de forma constante, sem condicionar esse comportamento ao desempenho escolar ou às conquistas.

Segundo Lorraine Tonini, a construção de uma autoestima consistente acontece quando a criança percebe que é valorizada por sua essência, e não apenas por aquilo que consegue realizar.

“A forma como os pais lidam com os próprios erros e dificuldades também serve de modelo. As crianças aprendem muito observando como os adultos enfrentam frustrações e desafios”, conclui.

 

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