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Multidão incendiária ataca hospital de Ebola na RDC: protesto contra quarentena mergulha região em caos sanitário

Redação
21 de maio de 2026 às 19:41
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Multidão incendiária ataca hospital de Ebola na RDC: protesto contra quarentena mergulha região em caos sanitário

Foto: Redação Central

A violência irrompeu no leste da República Democrática do Congo quando centenas de moradores, armados com pedras e coquetéis molotov, incendiaram tendas de isolamento e barracões de quarentena na cidade de Butembo, epicentro do atual surto de Ebola causado pela variante Bundibugyo. O ataque, registrado na madrugada de ontem, resultou em dois óbitos por afogamento durante a fuga e deixou três profissionais de saúde feridos, segundo relatos de testemunhas e fontes médicas locais.

O gatilho da revolta: desconfiança e desinformação alimentam a ira popular

Investigações preliminares indicam que o estopim foi a crença disseminada entre moradores de que as mortes recentes de quatro pessoas na região haviam sido causadas pela equipe de saúde, não pelo vírus. “Eles dizem que estamos envenenando os doentes ou sequestrando crianças para experimentos”, declarou à ClickNews o Dr. Pierre Mwema, coordenador local da OMS, que acompanha o surto desde outubro. A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu comunicado alertando para o “risco iminente de colapso do sistema de resposta” devido à escalada da violência.

Bundibugyo: a variante esquecida que desafia a ciência

A cepa Bundibugyo, identificada pela primeira vez em Uganda em 2007, representa menos de 1% dos casos de Ebola registrados globalmente, mas carrega uma letalidade superior a 50%. Diferentemente das variantes Zaire ou Sudão, contra as quais já existem vacinas e terapias experimentais, a Bundibugyo não possui imunizante aprovado — e a OMS estima que o desenvolvimento de um protótipo funcional possa levar até nove meses. “Estamos diante de um cenário sem precedentes”, afirmou a epidemiologista Dra. Amina Sow, da Universidade de Kinshasa. “Sem vacina, nossa única arma é o rastreamento de contatos e a contenção, mas a violência contra as equipes torna isso praticamente impossível.”

Impacto humanitário: fome e doenças secundárias ameaçam mais vidas que o vírus

O fechamento do principal centro de tratamento na sequência do ataque deixou pelo menos 12 pacientes sem assistência, incluindo três crianças com sintomas graves. Além disso, a suspensão das atividades de vacinação contra doenças preveníveis — como sarampo e cólera — em Butembo pode resultar em um surto paralelo, alertou o UNICEF. “Quando as pessoas param de confiar nas instituições, o preço pago é em vidas”, destacou o coordenador humanitário da ONU no país, Fabrizio Hochschild.

Governança local sob pressão: autoridades tentam conter danos enquanto população clama por respostas

O governo provincial de Kivu do Norte, em comunicado oficial, classificou o ataque como “ato terrorista” e prometeu reforçar a segurança nas unidades de saúde, mas admitiu que a estratégia de “quarentena comunitária” — que envolve o isolamento de famílias inteiras — tem gerado resistência desde o início do surto. “As pessoas veem seus filhos morrerem de fome porque não podem sair de casa, e isso alimenta a desconfiança”, explicou um líder comunitário que pediu anonimato. Enquanto isso, a Cruz Vermelha local reportou um aumento de 40% nas doações de sangue para pacientes com suspeita de Ebola, indicando que a população, mesmo hostil, ainda busca ajuda médica quando confrontada com a doença.

Cenário internacional: a RDC em busca de soluções enquanto a OMS aciona alerta máximo

A diretora-geral da OMS, Dra. Tedros Adhanom Ghebreyesus, convocou uma reunião emergencial do comitê de resposta a surtos na semana passada, classificando a situação como “alto risco para a saúde global”. Países vizinhos, como Ruanda e Uganda, já intensificaram os postos de fiscalização nas fronteiras, temendo a disseminação do vírus. Especialistas, no entanto, apontam que o principal desafio não é logístico, mas político. “A resposta ao Ebola Bundibugyo exige mais do que recursos: exige reconstruir a confiança em um sistema de saúde que há anos é associado a corrupção e negligência”, afirmou o pesquisador congolês Dr. Jean-Bosco Kazadi, da Escola de Saúde Pública de Kinshasa.

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