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Jornais estrangeiros veem aproximação com Trump em possível governo de Flávio Bolsonaro

João
5 de outubro de 2026 às 15:04
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Jornais estrangeiros veem aproximação com Trump em possível governo de Flávio Bolsonaro

Montagem R7: REUTERS/Adriano Machado – 04.10.2026; REUTERS/Nathan Howard – 03.10.2026

Jornais estrangeiros veem aproximação com Trump em possível governo de Flávio Bolsonaro

Cobertura internacional destaca vantagem do senador sobre Lula e projeta apoio de eleitores de direita no segundo turno

A possibilidade de Flávio Bolsonaro (PL) chegar à Presidência do Brasil e estreitar as relações com Donald Trump ganhou espaço na cobertura internacional das eleições brasileiras. Ao analisar o primeiro turno, realizado neste domingo (4), jornais estrangeiros ressaltaram que o senador terminou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um resultado que contrariou as indicações das pesquisas eleitorais.

As avaliações publicadas no exterior abordam tanto as consequências de uma eventual mudança de governo para a política internacional quanto os fatores que poderão influenciar a disputa no segundo turno. Entre os pontos destacados estão a perspectiva de concentração dos votos da direita em Flávio e o desgaste de Lula entre parcelas do eleitorado.

Disputa brasileira ganha dimensão continental

O norte-americano The New York Times e o britânico Financial Times associam uma possível vitória de Flávio Bolsonaro a uma aproximação entre Brasília e Washington. Para os dois jornais, o resultado da eleição brasileira poderá favorecer os interesses de Trump na América Latina.

Na análise do Financial Times, o maior país latino-americano poderá passar a ser governado por um “aliado” do presidente dos Estados Unidos. Essa possibilidade é apresentada em um contexto de esforços norte-americanos para ampliar sua influência sobre a região.

O The New York Times, por sua vez, situa a disputa brasileira no avanço eleitoral da direita pelo continente. Segundo o jornal, depois de sete governantes desse campo político terem sido eleitos na América Latina nos últimos anos, o Brasil passou a representar o principal objetivo ainda em aberto para Trump.

A publicação também afirma que Flávio já manifestou disposição para colaborar com os Estados Unidos na expansão de sua influência regional. Dessa forma, uma vitória do senador teria repercussões que ultrapassariam a política interna brasileira.

Uma reversão do cenário em favor de Lula produziria o efeito contrário, na avaliação do jornal norte-americano: conteria o avanço da direita observado em países vizinhos e dificultaria os planos de Trump para o continente.

Transferência de votos pode favorecer Flávio

As perspectivas para o segundo turno das eleições presidenciais também receberam atenção dos veículos estrangeiros. Nas análises apresentadas, Flávio Bolsonaro aparece como favorito, com possibilidade de ampliar sua votação a partir do apoio de eleitores de candidatos de direita que ficaram fora da etapa final.

O argentino Clarín e o britânico The Guardian apontam que os votos destinados a Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) tendem a beneficiar o senador. A eventual migração desse eleitorado é tratada como um fator relevante para a continuidade da disputa contra Lula.

Além da corrida presidencial, o The Guardian destacou o desempenho “melhor do que se imaginava” da direita nas eleições para o Legislativo e os governos estaduais. A avaliação considera os resultados desse campo político em diferentes frentes da votação.

Entre os exemplos mencionados pelo jornal estão as vitórias de integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e os filhos Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro. A publicação também cita a reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo de São Paulo.

Desgaste de Lula e orçamento familiar entram na análise

A cobertura internacional procurou ainda interpretar as razões que levaram ao resultado do primeiro turno. Para o Financial Times, o desempenho nas urnas expressa sobretudo um cansaço do eleitorado em relação a Lula, mais do que um reconhecimento das qualidades de seu adversário.

O Clarín apresenta uma leitura semelhante ao identificar um componente de voto de protesto contra o presidente. Na avaliação do jornal argentino, as dificuldades econômicas enfrentadas pelas famílias ajudam a explicar o comportamento dos eleitores.

O avanço do endividamento familiar e os obstáculos para equilibrar o orçamento mensal também são apontados como possíveis fatores de aumento da abstenção eleitoral. Esse efeito, segundo a análise, pode ter atingido especialmente segmentos que tradicionalmente apoiam Lula, com consequências para o desempenho do presidente na disputa.

Fonte: R7
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