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Senado aprova ‘Programa Mulher Alerta’: aparelhos de emergência para vítimas de violência doméstica entram em fase decisiva

Redação
6 de maio de 2026 às 15:31
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Senado aprova ‘Programa Mulher Alerta’: aparelhos de emergência para vítimas de violência doméstica entram em fase decisiva
Divulgação / ClickNews

O Senado Federal concluiu, na tarde desta quarta-feira (6), a aprovação do Programa Mulher Alerta, iniciativa que visa fornecer aparelhos sinalizadores de emergência a mulheres em situação de risco de violência doméstica. A proposta, de autoria da senadora Zenaide Maia (PSD-RN) e relatada pelo senador Márcio Bittar (PL-AC), avançou em regime terminativo na Comissão de Direitos Humanos (CDH), encaminhando-se diretamente para análise na Câmara dos Deputados.

Dispositivos de emergência: como funcionará o sistema de proteção

Os aparelhos sinalizadores, conforme estabelecido na legislação, serão acionados pelas vítimas em caso de iminente perigo. Ao ser ativado, o dispositivo emitirá um alerta que permitirá às autoridades rastrear sua localização em tempo real. A polícia será notificada imediatamente para intervir no local, enquanto a ocorrência será simultaneamente comunicada à autoridade judicial competente. A implementação do programa dependerá de convênios entre os estados, o Distrito Federal e o governo federal para a aquisição dos equipamentos e a estruturação logística.

Impacto social e jurídico: uma ferramenta contra a impunidade

A medida representa um avanço no enfrentamento à violência de gênero, setor que registrou 1.437 feminicídios no Brasil em 2023, conforme dados oficiais. Especialistas destacam que a rapidez na resposta policial pode reduzir a letalidade em casos de violência doméstica, atualmente responsáveis por cerca de 25% dos homicídios femininos no país. Além disso, a obrigatoriedade de comunicação judicial reforça a transparência no processo, evitando falhas na proteção das vítimas. Advogados criminalistas avaliam que a iniciativa pode complementar medidas como as medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, mas alertam para a necessidade de capacitação das forças de segurança.

Tramitação acelerada: o que falta para a implementação

Por ter sido aprovado em regime terminativo na CDH, o projeto não precisará ser votado em plenário do Senado, a menos que haja requerimento para revisão. Na Câmara dos Deputados, a proposta será analisada pelas comissões de Segurança Pública e de Defesa dos Direitos da Mulher antes de seguir para votação. O governo federal, por sua vez, já sinalizou abertura para parcerias com estados, mas a efetividade do programa dependerá de dotação orçamentária específica. Em 2023, o orçamento federal destinou R$ 50 milhões para políticas de enfrentamento à violência contra a mulher, valor que poderá ser realocado ou ampliado.

Críticos do projeto, no entanto, questionam a celeridade da tramitação e a ausência de previsão de recursos para a manutenção dos aparelhos, que incluem custos de infraestrutura, treinamento policial e atualização tecnológica. Parlamentares da oposição argumentam que a medida, embora louvável, deve ser acompanhada de políticas públicas mais amplas, como aumento de vagas em abrigos para vítimas e expansão dos serviços de psicologia e assistência social.

Para as vítimas de violência doméstica, o Programa Mulher Alerta surge como uma luz no fim do túnel. Segundo dados do Ministério das Mulheres, apenas 30% das mulheres que sofreram agressões registram boletim de ocorrência, e menos de 10% delas recorrem a medidas protetivas. Com a nova ferramenta, espera-se que o número de denúncias e intervenções aumente, reduzindo a subnotificação e garantindo respostas mais ágeis do Estado.

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