O governo do Pará formalizou, nesta sexta-feira, o reconhecimento da encenação da Paixão de Cristo do grupo Kauré como patrimônio cultural material e imaterial do estado. A decisão, chancelada pela governadora em exercício, representa um marco histórico para as manifestações artísticas locais, consolidando um legado de mais de três décadas de resistência cultural no município de Santarém.
Reconhecimento estadual solidifica tradição de 32 anos
A designação, oficializada por meio de decreto publicado no Diário Oficial, confere ao espetáculo não apenas status de preservação, mas também acesso a recursos públicos para manutenção e difusão. Segundo o diretor do grupo, Alenilson Ribeiro, o processo de tombamento demandou esforços articulados com órgãos estaduais de cultura, enfrentando desafios burocráticos e financeiros ao longo de cinco anos. A conquista, entretanto, reafirma o compromisso do Estado com a salvaguarda de expressões culturais típicas da Amazônia paraense.
Impacto econômico e social da decisão
Especialistas em economia criativa estimam que o selo de patrimônio cultural pode atrair investimentos da ordem de R$ 2,5 milhões anuais para a região, com reflexos diretos em setores como turismo, artesanato e gastronomia. Dados da Secretaria de Estado de Cultura indicam que a Paixão de Cristo já movimenta cerca de 800 empregos temporários por temporada, entre atores, técnicos e prestadores de serviços. Além disso, o reconhecimento reforça a identidade regional, reduzindo a evasão de talentos para centros urbanos maiores.
Desafios futuros e novos horizontes
Apesar da vitória simbólica, o grupo Kauré enfrenta a necessidade de modernizar a produção sem perder a essência tradicional. Ribeiro destacou que, a partir de agora, o próximo passo é buscar parcerias com universidades para documentar técnicas cênicas e musicais do espetáculo, garantindo sua transmissão às novas gerações. A medida também abre precedente para que outras manifestações culturais do Pará, como o Boi-Bumbá e as festas de São João, reivindiquem proteção semelhante junto ao poder público.
Para a população santarena, o reconhecimento é celebrado como um divisor de águas. Moradores relatam um aumento de 40% nas visitas ao evento durante a Semana Santa desde que o espetáculo passou a ser transmitido ao vivo pela TV estatal, ampliando seu alcance para mais de 500 mil espectadores. A decisão, ainda, alinha o Pará às diretrizes da UNESCO para a salvaguarda do patrimônio imaterial, posicionando o estado como referência nacional na área.
O grupo Kauré, fundado em 1989 por ribeirinhos e artistas amadores, é hoje um dos principais expoentes do teatro regional amazônico. Sua trajetória, marcada pela resistência à comercialização excessiva e pela fidelidade aos elementos litúrgicos originais, serve de exemplo para coletivos culturais em todo o país. A conquista do grupo reforça a tese de que o desenvolvimento socioeconômico pode — e deve — caminhar lado a lado com a preservação da memória coletiva.
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