A maioria dos adultos nos Estados Unidos passou a considerar o país menos receptivo a imigrantes após o retorno de Donald Trump à Casa Branca há 14 meses, conforme dados de levantamento conduzido recentemente. O estudo, que ouviu cerca de seis em cada dez participantes, aponta uma reversão na imagem histórica de acolhimento do país, outrora tido como destino atrativo para estrangeiros.
Mudança de paradigma: Declínio na confiança em políticas migratórias
Os resultados do inquérito, realizado por instituto de pesquisa de abrangência nacional, indicam que 60% dos entrevistados — entre eles 60% de adultos hispânicos — afirmam ter sido pessoalmente impactados ou conhecerem alguém afetado pelas ações de fiscalização migratória implementadas pela administração Trump nos últimos 12 meses. O endurecimento das políticas, caracterizado pela mobilização de milhares de agentes federais — por vezes com apoio das Forças Armadas — em operações de detenção e deportação, tem gerado um clima de insegurança entre comunidades estrangeiras.
Medidas de autoproteção: Documentos de residência em alta
Entre os adultos hispânicos ouvidos, quase metade relatou ter passado a portar constantemente documentos comprobatórios de cidadania estadunidense ou residência permanente, temendo detenções arbitrárias ou deportações. A prática reflete a crescente militarização das fronteiras internas e a intensificação das ações de fiscalização, que, segundo críticos, ultrapassam limites legais e éticos. Incidentes recentes, como os registros em Minneapolis em janeiro, onde dois cidadãos norte-americanos desarmados foram mortos por agentes do ICE ou CBP durante protestos, corroboram relatos de violência excessiva nas operações.
Decisões judiciais e reações políticas em meio à crise
A escalada repressiva coincide com a ausência de mudanças legislativas significativas no Congresso, mantendo o sistema migratório sob tensão. Especialistas em direito internacional alertam para potenciais violações de tratados de direitos humanos, enquanto organizações não governamentais denunciam a seletividade das operações, que, segundo elas, priorizam grupos étnicos específicos. A Casa Branca, por sua vez, defende a política como necessária para ‘restaurar a ordem’ nas fronteiras, reiterando compromissos com a segurança nacional.
O cenário tem gerado repercussões econômicas imediatas, com setores dependentes de mão de obra imigrante — como agricultura, construção e serviços — relatando escassez de trabalhadores e elevação de custos operacionais. Além disso, a imagem internacional dos EUA como nação receptiva sofreu abalos, afetando acordos comerciais e fluxos turísticos. Em estados fronteiriços, como Texas e Arizona, comunidades locais enfrentam divisões profundas, com relatos de perseguições baseadas em perfis étnicos e detenções de indivíduos com documentação válida.
Analistas políticos destacam que a estratégia de Trump, embora polarizante, tem consolidado sua base eleitoral entre segmentos que defendem um controle migratório mais rígido. Por outro lado, críticos apontam para o risco de uma crise humanitária de proporções ainda não mensuradas, com famílias separadas e comunidades vivendo sob estado de alerta constante. A longa sombra do slogan ‘America First’ parece se estender agora também sobre o imaginário coletivo de quem busca na nação norte-americana uma nova oportunidade de vida.
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