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Hepatites D e E desafiam diagnóstico no Brasil

João
19 de agosto de 2026 às 10:22
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Hepatites D e E desafiam diagnóstico no Brasil

Divulgação

Estudo revela circulação expressiva em regiões específicas

Prevalência elevada em áreas vulneráveis

Uma revisão conduzida pelo Hospital Israelita Albert Einstein, publicada na PLOS One, analisou 200 estudos entre 2013 e 2024, envolvendo mais de 14,5 milhões de pessoas. Os resultados apontam prevalência de até 23,9% para hepatite D na Amazônia e 59,4% para hepatite E no Sul. “A pesquisa nos alerta para a presença dessas sorologias incomuns que podem não estar sendo diagnosticadas corretamente por não estarem no radar de nossa prática clínica”, afirmou o patologista João Renato Rebello Pinho.

Diferenças entre os tipos de hepatite

As hepatites A e E estão ligadas ao consumo de água ou alimentos contaminados, enquanto B, C e D são transmitidas por sangue e fluidos corporais. A hepatite D depende da presença do vírus B para se instalar, tornando a vacinação contra hepatite B uma forma indireta de prevenção. “Apenas assim conseguiremos de fato eliminar essas infecções virais aqui do Brasil”, destacou Pinho.

Hepatite D: impacto em populações ribeirinhas e indígenas

O genótipo 3 do vírus Delta predomina na Amazônia e está associado a quadros mais graves. “O vírus D utiliza o vírus B, mesmo que esse esteja aparentemente controlado, e reativa a doença, por isso a correlação entre eles”, explicou o pesquisador. A ausência de testes rápidos e a dificuldade de acesso a serviços de saúde agravam o cenário.

Escassez de pesquisas sobre hepatite D

Dos 200 estudos avaliados, apenas 16 abordaram diretamente a hepatite D. “Uma das hipóteses que temos é que, como o genótipo 3 leva a infecções mais graves, os atingidos viajam menos e possuem menos contato com outras populações, mas faltam estudos que permitam nos aprofundarmos no tema”, analisou Pinho.

Hepatite E: transmissão ligada a suínos

A hepatite E circula entre humanos e animais, especialmente porcos. “Os estudos feitos em animais brasileiros detectaram porcos com hepatite E em todas as regiões do Brasil”, observou Pinho. O genótipo 3, predominante no país, costuma ser menos agressivo, mas pode causar inflamação intensa e até necessidade de transplante. A criação de suínos no Sul ajuda a explicar índices elevados, chegando a 59,4%.

Diagnóstico insuficiente e subnotificação

A hepatite E foi tema de apenas 30 estudos, dificultando estimar sua real circulação. “O que os levantamentos indicam é que pessoas negativas para os demais vírus da hepatite podem ter, na verdade, essa forma da doença”, relatou Pinho. A ausência de sintomas em parte dos casos contribui para diagnósticos tardios e subnotificação.

Necessidade de ampliar pesquisas e vacinação

A revisão destaca a urgência de fortalecer laboratórios, ampliar testagem e incluir populações vulneráveis em novos estudos. “O Brasil acumula importantes avanços no enfrentamento das hepatites virais, especialmente por meio da ampliação do acesso à vacinação, ao diagnóstico e ao tratamento. Mas é preciso fortalecer a vacinação sempre e aumentar nossa base de dados para a saúde pública coordenar esforços e cumprir seu objetivo de eliminar a hepatite da lista de problemas de saúde pública até 2030, como é a meta da Organização Mundial da Saúde”, concluiu Pinho.

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