Onda de calor e domo atmosférico: o gatilho comum
Tanto na Europa quanto no Brasil, os incêndios florestais têm origem em um fenômeno climático recorrente: a formação de um domo de calor. Essa estrutura atmosférica consiste em uma bolha de ar quente estacionária que impede a entrada de frentes frias e chuvas, criando um ambiente propício para a propagação do fogo. Segundo o climatologista José Antonio Marengo, esses eventos são intensificados por “ventos de alta velocidade e ar extremamente seco”, condições que, em 19 de agosto de 2026, já se manifestam com intensidade em ambas as regiões.
Diferenças estruturais: vegetação, gestão e impacto humano
Na Europa, os incêndios têm assolado áreas densamente povoadas, como no sul da França e em Portugal, onde residências e infraestruturas foram rapidamente engolidas pelas chamas. A proximidade entre áreas urbanas e florestas — agravada por décadas de abandono agrícola e expansão imobiliária — é um fator-chave. No Brasil, embora o fogo atinja biomas como a Amazônia e o Cerrado, os impactos são mais dispersos, mas não menos devastadores. Aqui, a sazonalidade do fogo está diretamente ligada ao ciclo de secas, que se estende até outubro, com picos esperados para setembro, quando o El Niño, previsto para ser intenso, deve agravar a estiagem.
El Niño e a sazonalidade brasileira: um alerta para 2026
O fenômeno climático El Niño, com previsão de força elevada até o final do ano, adiciona uma camada de risco ao cenário brasileiro. Especialistas alertam que, diferentemente da Europa — onde os incêndios são mais esporádicos e concentrados em períodos de seca prolongada —, no Brasil, a interação entre o El Niño, o desmatamento e a degradação de áreas protegidas pode criar um ciclo vicioso. “A combinação de solo seco, vegetação inflamável e atividade humana negligente resulta em incêndios que, muitas vezes, escapam ao controle”, destaca Marengo. Enquanto na Europa os focos são frequentes em regiões de clima mediterrâneo, no Brasil, a Amazônia e o Pantanal já registram recordes de área queimada em 2026, com projeções de piora até outubro.
Consequências e respostas: o que esperar nos próximos meses
Na última quarta-feira, 19 de agosto de 2026, governos europeus intensificaram evacuações e acionaram forças-tarefa internacionais para conter os incêndios, que já superam os registros históricos em países como Grécia e Itália. No Brasil, a resposta depende de uma equação complexa: monitoramento via satélite, fiscalização ambiental e, sobretudo, redução da pressão antrópica sobre os biomas. A temporada de fogo brasileira, no entanto, caminha para um cenário de alta tensão, com possíveis reflexos na qualidade do ar, na saúde pública e até mesmo na segurança alimentar, dada a importância da agricultura de sequeiro em regiões afetadas.




