A reação de Flávio Bolsonaro: transparência e perseguição política
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta sexta-feira, 15, em entrevista no Aeroporto Internacional de Brasília, que os US$ 24 milhões (equivalente a R$ 134 milhões segundo a cotação da época) repassados pelo fundador do banco Master, Daniel Vorcaro, ao fundo Havengate Development Fund LP — registrado na SEC (Securities and Exchange Commission) dos EUA — foram integralmente destinados à produção do documentário Dark Horse, que retrata a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro (PL).
Em tom de defesa, o parlamentar classificou os repasses como fiscalizados por órgãos reguladores norte-americanos e isentos de irregularidades. “Todo esse fundo onde foi aportado esse recurso para fazer o filme, ele é fiscalizado pela Bolsa de valores lá dos Estados Unidos, com prestação de contas, um controle rigoroso. Então tudo transparente, tudo bonitinho, redondinho”, declarou, sem citar diretamente a investigação da Polícia Federal (PF) sobre possíveis desvios de finalidade.
O fantasma da PF: investigação sobre destino não declarado dos recursos
A PF investiga se parte dos US$ 24 milhões teria sido utilizada para cobrir despesas de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) durante sua estadia nos Estados Unidos, onde o ex-deputado vive atualmente. O fundo Havengate, gerido pelo advogado de Eduardo, Paulo Calixto, serviu como intermediário dos repasses, segundo documentos obtidos pelo Intercept Brasil.
Flávio Bolsonaro negou categoricamente que recursos tenham sido desviados para custear viagens ou gastos pessoais do irmão. “Não temos absolutamente nada para nos preocupar com isso, a não ser a perseguição”, afirmou, alegando que “a todo momento estão tentando criar narrativas mentirosas” para acionar a PF. “Por exemplo, do Eduardo Bolsonaro, como se ele tivesse recebido algum dinheiro desse que foi investido no filme. Não recebeu, continuo confirmando aqui, não recebeu, foi tudo usado integralmente para produzir esse filme”, reforçou.
Eduardo Bolsonaro desmente repasses e critica “história tosca”
Em postagem no X (antigo Twitter), na quinta-feira (14.mai), Eduardo Bolsonaro também refutou a existência de qualquer transferência de valores provenientes do Havengate. “A história não se sustenta e é tosca”, escreveu, sem fornecer maiores detalhes sobre seu status migratório nos EUA, mencionado de forma truncada na mensagem original.
A negação dos irmãos Bolsonaro ocorre em meio a um cenário de crescente tensão entre as autoridades brasileiras e os órgãos reguladores norte-americanos, especialmente após a SEC ter aberto inquérito sobre a origem dos recursos do fundo Havengate. Especialistas em compliance financeiro destacam que a transparência declarada por Flávio Bolsonaro não exime o fundo de auditorias externas, uma vez que a SEC já investiga possíveis irregularidades em operações envolvendo o Texas, local de registro do Havengate.
Consequências jurídicas e políticos: o que está em jogo
A investigação da PF, ainda em fase inicial, pode resultar em dois desdobramentos principais: a comprovação de desvio de finalidade dos recursos — o que configuraria crime de lavagem de dinheiro ou peculato — ou a absolvição dos envolvidos por falta de provas. Caso a PF conclua que houve uso indevido dos US$ 24 milhões, a defesa dos Bolsonaro enfrentaria não apenas sanções penais, mas também danos irreparáveis à imagem do pré-candidato Flávio, que busca projetar-se como alternativa à política tradicional.
Para a oposição, o caso reforça a necessidade de transparência em doações eleitorais e financiamentos de produções midiáticas. “Não se trata de perseguição, mas de fiscalização. Recursos públicos ou privados devem ter destino claro e auditável”, declarou uma fonte da Procuradoria-Geral da República, sob condição de anonimato.
O futuro da apuração: prazos e expectativas
A PF tem prazo até 30 dias, prorrogável por igual período, para apresentar relatório preliminar sobre as suspeitas envolvendo o Havengate. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro segue em campanha, com eventos agendados no Rio de Janeiro, onde buscará consolidar seu discurso de vítima de perseguição política. A repercussão do caso, no entanto, pode influenciar diretamente nas eleições presidenciais de 2026, caso as investigações avancem ou sejam judicializadas.




