Redução de chuvas ameaça geração hidrelétrica
A atualização mais recente da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA), publicada em 13 de julho de 2026, reforça o cenário de alerta no setor elétrico brasileiro: há 81% de probabilidade de um El Niño classificado como ‘muito forte’ entre outubro e dezembro, com 97% de chances de persistir até o início de 2027. O fenômeno, que tende a reduzir as precipitações em regiões críticas como o Sudeste e o Centro-Oeste — principais bacias hidrográficas do país —, eleva o risco de queda nos níveis dos reservatórios, fundamentais para a geração de energia hidrelétrica.
Medidas emergenciais entram em pauta
Diante do prognóstico, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) já debatem estratégias de contingência. Entre as ações em análise está o despacho antecipado de termelétricas, inclusive aquelas que normalmente operariam fora da ordem de mérito econômico, como medida de garantia energética. Além disso, o governo avalia antecipar a entrada em operação de usinas térmicas contratadas no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap), originalmente previsto para 2027, como forma de mitigar o impacto da escassez hídrica.
Sem racionamento, mas com custo adicional
Embora especialistas consultados descartem a possibilidade de racionamento de energia — dado o atual nível de armazenamento nos reservatórios e a diversificação da matriz energética —, a combinação de menor vazão de rios, maior dependência de termelétricas e possível acionamento de bandeiras tarifárias vermelhas deve pressionar os custos da energia para o consumidor final. Segundo analistas do setor, cada 1% de redução na capacidade hidrelétrica pode elevar em até 0,5 ponto percentual o custo médio da tarifa, dependendo da intensidade do fenômeno.
Impacto imediato nas térmicas e na inflação
A antecipação do despacho de usinas termelétricas, que operam com combustíveis mais caros (gás natural, óleo diesel ou carvão), tende a aumentar a emissão de CO₂ e pressionar os preços dos insumos energéticos. Além disso, a inflação setorial pode ser afetada, uma vez que a energia elétrica representa cerca de 4% do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Caso o El Niño se concretize como previsto, o Banco Central poderá revisar suas projeções de inflação para 2027, impactando diretamente a política monetária.




