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Desemprego de pretos e pardos supera média nacional em 55% no 1º trimestre de 2026

Redação
14 de maio de 2026 às 19:03
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Desemprego de pretos e pardos supera média nacional em 55% no 1º trimestre de 2026

Foto: agenciabrasil.ebc.com.br

A desigualdade racial no mercado de trabalho brasileiro não apenas persiste como se agrava

 

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada pelo IBGE na manhã desta quinta-feira (14), a taxa de desemprego entre pessoas pretas no primeiro trimestre de 2026 alcançou 7,6% — um índice 55% superior ao registrado entre brancos (4,9%) e acima da média nacional de 6,1%. A disparidade é ainda mais acentuada quando comparada à dos pardos, cujo desemprego de 6,8% representa uma diferença de 38,8% em relação ao grupo branco.

A evolução histórica da desigualdade: do pico pandêmico ao cenário atual

A diferença de 55% verificada agora supera a registrada no último trimestre de 2025 (52,5%) e representa um retrocesso em relação ao início da série histórica, em 2012, quando a desigualdade era de 44,8%. Contudo, o cenário atual ainda é menos grave do que o observado no segundo trimestre de 2020 — auge da pandemia de Covid-19 —, quando a taxa de desemprego entre pretos chegou a ser 69,8% maior que a dos brancos. Naquele momento, o país enfrentava a maior crise ocupacional dos últimos anos, com impactos desproporcionais sobre os grupos racializados.

Para os pardos, a trajetória também é preocupante. Desde o início da série histórica, a disparidade em relação aos brancos oscilou entre mínimas de 33,3% (segundo trimestre de 2025) e máximas de 50,84% (terceiro trimestre de 2023). No primeiro trimestre de 2026, a diferença de 38,8% reflete uma melhora pontual, mas ainda insuficiente para igualar as condições de acesso ao mercado de trabalho.

Formalidade e raça: a barreira invisível do emprego precário

A informalidade — definida pelo IBGE como a ausência de carteira assinada, CNPJ ou direitos trabalhistas básicos — afeta desproporcionalmente pretos e pardos. Enquanto 37,3% dos trabalhadores brasileiros estão em situação informal, essa proporção sobe para 40,8% entre pretos e 41,6% entre pardos, ante apenas 32,2% entre brancos. A discrepância reforça a tese de que a desigualdade racial não se limita ao desemprego, mas se estende às condições de trabalho, perpetuando ciclos de vulnerabilidade econômica.

O que dizem os especialistas: “Algo estrutural”

William Kratochwill, analista do IBGE responsável pela pesquisa, destaca que a disparidade não pode ser reduzida a uma única variável. “Isso pode ser ligado a diversos fatores, não apenas à cor da pele. Questões como nível de instrução, região de moradia e acesso a redes de contatos profissionais também desempenham papel crucial”, explica. Segundo ele, embora os dados evidenciem um padrão histórico de exclusão, a definição de causas exatas exige estudos mais profundos, que considerem múltiplas variáveis além da identificação racial.

Kratochwill ressalta ainda que a autoidentificação — critério adotado pela Pnad — é fundamental para retratar a realidade, mas não deve ser tratada de forma isolada. “A cor da pele está intrinsecamente ligada a outras desigualdades sociais, como educação e distribuição geográfica da pobreza. Portanto, qualquer análise precisa considerar esse contexto”, completa.

Raça e região: onde a desigualdade é mais acentuada

Apesar de os dados não desagregarem regionalmente as taxas de desemprego por raça no primeiro trimestre de 2026, estudos anteriores do IBGE indicam que a desigualdade tende a ser mais pronunciada nas regiões Norte e Nordeste, onde a concentração de população preta e parda é maior e as oportunidades formais de emprego são escassas. Além disso, a informalidade nessas regiões supera a média nacional, atingindo patamares acima de 45% em estados como Maranhão e Piauí.

Perspectivas: avanços possíveis ou retrocesso social?

A trajetória da desigualdade racial no mercado de trabalho brasileiro — marcada por flutuações cíclicas, mas sem redução estrutural — levanta questionamentos sobre a eficácia das políticas públicas voltadas à inclusão. Especialistas ouvidos pela ClickNews alertam que, sem medidas específicas que combinem educação, qualificação profissional e combate à discriminação racial, o cenário tende a se perpetuar. “A sociedade brasileira ainda não superou o legado escravocrata, que se reflete nas estatísticas de hoje”, afirma uma socióloga ouvida em off, que preferiu não ser identificada.

A Pnad Contínua, que desde 2012 mapeia as desigualdades raciais no mercado de trabalho, segue como principal fonte para monitorar esses indicadores. No entanto, a ausência de políticas públicas robustas e a falta de investimento em programas de inclusão racial sugerem que, sem mudanças estruturais, a distância entre pretos, pardos e brancos no acesso ao emprego pode continuar a crescer.

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