O último brilho: 2002 e a redenção de um país
A seleção brasileira de futebol entrou para a história da Copa do Mundo não mais como o país mais vencedor do torneio, mas sim como detentora de um recorde indesejado: o maior jejum de títulos desde a última conquista, em 2002. Em 2026, o Brasil completará 24 anos sem levantar a taça, um intervalo que se iguala ao período entre o tricampeonato (1970) e o tetracampeonato (1994), marcas que definiram gerações douradas do futebol brasileiro.
O último título brasileiro na Copa do Mundo chegou em um momento de profunda crise institucional no esporte nacional. A seleção comandada por Luiz Felipe Scolari, com um elenco recheado de craques como Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo, não apenas venceu o torneio na Coreia do Sul e no Japão, como o fez de forma invicta, com sete vitórias em sete jogos. A decisão, contra a Alemanha, foi decidida por dois gols de Ronaldo, selando o pentacampeonato e encerrando um jejum de 24 anos desde o último título.
Das quartas de final à tragédia: o ciclo de frustrações
Desde então, o Brasil entrou em todas as Copas do Mundo com expectativas estratosféricas, mas saiu de campo com o sabor amargo da eliminação prematura. Em 2006, na Alemanha, um elenco estrelado — com Ronaldinho, Kaká, Adriano e Ronaldo — sucumbiu à França nas quartas de final, depois de uma derrota por 1 a 0. Quatro anos depois, na África do Sul, a equipe de Dunga não conseguiu superar os Países Baixos, também nas quartas, em um jogo que terminou 2 a 1 para os europeus.
O episódio mais traumático, no entanto, ocorreu em 2014, quando o Brasil sediou a Copa do Mundo pela segunda vez. A campanha promissora terminou em uma das maiores humilhações da história do futebol nacional: um 7 a 1 contra a Alemanha, no Mineirão, em uma partida que entrou para a memória coletiva como a maior derrota brasileira em Copas. A eliminação nas semifinais selou o início de uma nova crise, que se estenderia por anos.
O ciclo recente: derrotas nos detalhes e a maldição das quartas
Em 2018, na Rússia, a seleção voltaria a ser eliminada nas quartas de final, desta vez pela Bélgica, por 2 a 1. A frustração aumentou em 2022, no Catar, quando o Brasil, após um empate por 1 a 1 na prorrogação contra a Croácia, perdeu nos pênaltis. Pela primeira vez na história, a seleção foi eliminada duas vezes seguidas nas quartas de final, reforçando a impressão de que o time enfrenta uma crise de identidade e de resultados.
A herança de cinco títulos e a pressão do futuro
Apesar das frustrações recentes, o Brasil segue como o maior campeão da história da Copa do Mundo, com cinco títulos conquistados em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. A seleção também mantém o recorde de única equipe presente em todas as edições do torneio desde 1930, o que reforça sua importância no futebol mundial. No entanto, a ausência de um novo título em 24 anos coloca em xeque não apenas o legado dos técnicos e jogadores que passaram pela seleção, mas também a capacidade do país de manter sua hegemonia em um esporte cada vez mais competitivo.
Com a Copa do Mundo de 2026 se aproximando, a pergunta que não quer calar é: o Brasil finalmente quebrará o jejum histórico ou repetirá o destino de outras potências que, uma vez donas do título, jamais conseguiram repetir o feito? A resposta, como sempre, dependerá de uma combinação de talento, estratégia e, acima de tudo, resiliência.




