Justiça aceita denúncia por feminicídio e reconhece qualificadoras como motivo fútil, coabitação e crime contra ascendente
O Tribunal de Justiça de Goiás recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público estadual e transformou em ré a mulher acusada de assassinar a própria mãe em Guapó, na Região Metropolitana de Goiânia. Com a decisão, Karem Murielly de Jesus Oliveira, de 34 anos, passa a responder formalmente pelo homicídio qualificado de Maria de Lourdes Alves de Jesus, de 62, morta a golpes de faca na madrugada de 25 de janeiro.
A acusação é de feminicídio, com o reconhecimento de circunstâncias agravantes. Entre elas, o motivo considerado fútil, o fato de a vítima ser ascendente da investigada e a coabitação — já que mãe e filha viviam sob o mesmo teto.
Crime foi presenciado por criança de 5 anos
De acordo com a Polícia Civil de Goiás, Maria de Lourdes sofreu múltiplos ferimentos no tórax, abdômen, braços e pernas. O crime ocorreu dentro da casa onde as três gerações moravam e foi testemunhado pela filha de Karem, de apenas 5 anos.
As investigações indicam que a discussão que antecedeu o assassinato teria começado por causa de um desentendimento envolvendo o corte de cabelo da menina. A avó queria cortar o cabelo da neta, enquanto a mãe era contrária.
Após o ataque, segundo a polícia, a suspeita telefonou para uma prima e relatou o que havia feito, afirmando que pretendia fugir para Minas Gerais. A informação foi repassada a um dos filhos da vítima, que foi até o imóvel e encontrou a mãe caída na sala, já sem vida.
Confissão e alegação de legítima defesa
Karem está presa desde o mês passado. Conforme a investigação, ela admitiu ter cometido o crime, mas declarou ter agido em legítima defesa.
O capitão Hugo Borges Gomes, da Polícia Militar de Goiás, afirmou em entrevista à TV Anhanguera que a versão apresentada pela suspeita aponta para uma luta corporal entre as duas. “Elas entraram em luta corporal e, segundo Karem, a mãe desferiu um golpe de faca no pé dela, e aí ela pegou outra faca que estava em cima da mesa e golpeou a mãe inúmeras vezes. Ela falou que não lembra a quantidade, mas que só parou [de esfaquear a mãe] quando cansou”, relatou.
O UOL informou que tentou contato com a defesa da acusada, mas não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
Histórico de conflitos
Os levantamentos da polícia mostram que a convivência entre mãe e filha era marcada por episódios recorrentes de desentendimento. Em 2025, Maria de Lourdes chegou a registrar uma ocorrência contra Karem e solicitou medida protetiva, posteriormente retirada poucos dias depois.
Com o recebimento da denúncia, o caso entra na fase de instrução processual, quando serão colhidos depoimentos e analisadas as provas que irão embasar o julgamento.


