Procedimento foi autorizado pelo STF após laudo da Polícia Federal; operação está prevista para a manhã do dia de Natal
O ex-presidente Jair Bolsonaro será internado na manhã desta quarta-feira (24), em Brasília, para a realização de exames clínicos e preparo pré-operatório antes da cirurgia de correção de uma hérnia inguinal bilateral. A internação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após perícia da Polícia Federal confirmar a necessidade do procedimento médico.
A previsão é que Bolsonaro dê entrada no hospital DF Star ainda nas primeiras horas do dia. A cirurgia está programada para a manhã de quinta-feira (25), data do Natal, com duração estimada entre três e quatro horas.
Cronograma médico e acompanhamento
De acordo com o cirurgião-geral Cláudio Birolini, responsável pelo acompanhamento do ex-presidente, esta quarta-feira será dedicada à realização de exames clínicos e de imagem, além do preparo necessário para a intervenção cirúrgica. A equipe médica informou que passará a divulgar boletins diários com atualizações sobre o estado de saúde e a evolução do tratamento.
— Na quarta-feira, teremos exames e preparo pré-operatório e, na quinta cedo, a cirurgia. Ainda não definimos o momento do procedimento anestésico relacionado ao nervo frênico — afirmou o médico.
Exames e preparo pré-operatório
Antes da cirurgia, Bolsonaro será submetido a uma série de avaliações clínicas e laboratoriais com o objetivo de confirmar o diagnóstico, verificar suas condições gerais de saúde e minimizar riscos durante o procedimento. Estão previstas análises cardiológicas e anestésicas, além de ajustes na medicação e outras medidas clínicas consideradas necessárias.
Cirurgia de hérnia inguinal bilateral
A hérnia inguinal bilateral ocorre quando parte do intestino ultrapassa áreas enfraquecidas da parede abdominal, na região da virilha. O procedimento cirúrgico consiste no reposicionamento do conteúdo abdominal e no reforço da musculatura local, reduzindo riscos de dor, complicações e recorrência. A operação será realizada sob anestesia geral, com monitoramento contínuo das funções vitais.
Avaliação sobre o bloqueio do nervo frênico
A equipe médica também avalia a possibilidade de realizar um bloqueio anestésico do nervo frênico, indicado em alguns casos para controle de soluços persistentes — sintoma apresentado por Bolsonaro nos últimos meses.
Esse nervo é responsável pela ativação do diafragma, músculo essencial para a respiração. O bloqueio busca interromper estímulos neurológicos anormais que causam contrações involuntárias. O momento mais adequado para a intervenção ainda será definido.
Recuperação e pós-operatório
Após a cirurgia, Bolsonaro será submetido a controle rigoroso da dor, com analgesia adequada e acompanhamento clínico contínuo. O protocolo de recuperação inclui fisioterapia para mobilização precoce e melhora da função respiratória, além de medidas preventivas contra complicações trombóticas, como trombose venosa profunda.
A expectativa da equipe médica é que o ex-presidente permaneça internado entre cinco e sete dias, período considerado necessário para analgesia, fisioterapia, prevenção de intercorrências e observação clínica, levando em conta o histórico de cirurgias abdominais.
Decisão do STF e situação judicial
A defesa de Bolsonaro solicitou ao STF autorização para internação no dia 24, com a cirurgia no dia seguinte. O pedido foi analisado por Alexandre de Moraes, que deu aval após manifestação técnica. Na decisão, o ministro destacou que o ex-presidente possui “plenas condições de tratamento de saúde” na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, unidade localizada próxima ao hospital.
Apesar de reconhecer a recomendação médica, Moraes classificou o procedimento como eletivo, sem caráter emergencial. A perícia da Polícia Federal apontou que a cirurgia deve ocorrer “o mais breve possível”, mas sem urgência imediata.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão após condenação pelo STF por tentativa de golpe de Estado. O ministro ressaltou que a autorização para internação não interfere na execução da pena.
Durante o período de internação, o ex-presidente será acompanhado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O pedido da defesa para liberação da entrada dos filhos — o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) — foi condicionado a nova autorização judicial.



