Mais de 52 milhões de contas possuem saldos disponíveis para devolução imediata por meio do Sistema de Valores a Receber
Dados atualizados do Banco Central (BC) revelam que, em abril de 2026, o montante de recursos “esquecidos” em instituições financeiras, cooperativas e administradoras de consórcios ultrapassa a marca de R$ 10,55 bilhões. Até o momento, o Sistema de Valores a Receber (SVR) já operacionalizou a restituição de R$ 14,1 bilhões a correntistas. O público beneficiário é vasto: são 47 milhões de pessoas físicas e cerca de 5 milhões de empresas que possuem algum crédito a recuperar.
Distribuição dos saldos por faixa de valor
A análise estatística do BC mostra que a grande maioria dos brasileiros possui quantias modestas a receber. Cerca de 38 milhões de beneficiários têm saldos de até R$ 10. No entanto, uma parcela significativa detém valores maiores: 14,6 milhões de contas possuem entre R$ 10 e R$ 100, enquanto 6,3 milhões de correntistas têm direito a valores entre R$ 100 e R$ 1.000. No topo da pirâmide, 1,2 milhão de contas apresentam saldos superiores a R$ 1.000 disponíveis para saque.
Os recursos permanecem sob custódia das instituições financeiras por tempo indeterminado, e o cidadão pode realizar a consulta ou o pedido de transferência a qualquer momento, sem risco de perda do capital.
Novas regras e automação do resgate
A partir deste ano, o Banco Central implementou mudanças tecnológicas para simplificar o acesso aos valores. A principal novidade é a solicitação automática, uma funcionalidade que elimina a necessidade de procedimentos manuais repetitivos para cada conta encontrada.
A adesão ao resgate automático é facultativa e exclusiva para pessoas físicas. Para utilizar essa facilidade, o usuário deve, obrigatoriamente, possuir uma chave Pix cadastrada com o número do seu CPF. Caso o cidadão utilize apenas chaves aleatórias ou de e-mail, será necessário registrar o CPF na sua instituição bancária de preferência antes de acessar o sistema do BC.
Requisitos de segurança e acesso para herdeiros
Para garantir a integridade das transações, o acesso ao SVR exige níveis elevados de autenticação. É indispensável que o interessado possua uma conta no portal gov.br de nível prata ou ouro, além de manter ativada a verificação em duas etapas.
O sistema também permite a consulta de valores pertencentes a pessoas falecidas ou empresas que já encerraram suas atividades.
“Nesse caso e no caso de empresas encerradas, o representante pode entrar no SVR com a conta pessoal Gov.br e assinar um termo de responsabilidade para resgatar os valores”, detalha a norma do Banco Central.
Para herdeiros, inventariantes ou representantes legais, o procedimento exige a concordância com termos de responsabilidade jurídica antes da liberação do montante.



