Após três anos de dedicação exclusiva ao Direito, tutora obtém sentença inédita de prisão em país carente de leis de proteção animal
A busca por justiça após a perda de um animal de estimação transformou radicalmente a trajetória da chinesa Li Yihan. Diante da morte de seu cão, Papi, por envenenamento em 2022, Yihan tomou a decisão drástica de abandonar sua vida profissional para mergulhar no complexo sistema jurídico da China. O objetivo era preencher a lacuna deixada pela ausência de uma legislação específica de proteção animal no país, utilizando artigos do Código Civil e Penal para garantir que o responsável pelo crime não ficasse impune.
O crime ambiental e a tragédia em Pequim
O incidente ocorreu em um condomínio residencial em Pequim, onde Zhang, um homem de 65 anos, espalhou pedaços de frango contaminados com fluoroacetato de sódio — um pesticida altamente letal — em uma área comum. A ação criminosa resultou no envenenamento de 11 animais, dos quais nove, incluindo o terrier de Yihan, não sobreviveram. O caso ganhou contornos dramáticos pela toxicidade da substância, que representa risco inclusive para seres humanos, elevando a gravidade da conduta perante as autoridades.
Yihan, que convivia com Papi há mais de uma década, descreveu o sofrimento do animal como o motor para sua mudança de vida. Sem advogados que aceitassem o desafio devido à fragilidade das leis locais, ela se tornou a própria defensora e representante de outras dez vítimas no tribunal.
Veredito histórico e retaliações sociais
A persistência de Yihan culminou, em dezembro de 2025, na condenação de Zhang a quatro anos de reclusão pelo crime de aplicação de substâncias perigosas. A sentença é considerada o teto máximo para casos dessa natureza na China e estabelece um precedente jurídico relevante para futuros julgamentos. Durante o processo, Zhang chegou a aguardar em liberdade, período que a tutora descreveu como de angústia extrema.
“Senti como se fosse eu quem estivesse atrás das grades”, disse Yihan ao relembrar o tempo em que o agressor esteve sob fiança.
Ao revelar seu rosto publicamente pela primeira vez em março de 2026, Li Yihan relatou ter enfrentado uma onda de hostilidade digital e exposição de dados pessoais por parte de detratores que desaprovam sua causa.
Legado para o direito dos animais
Apesar das intimidações e boatos, a ativista mantém o foco na conscientização e na reforma legislativa. Para ela, o desfecho do caso de Papi não é apenas uma vitória pessoal, mas uma ferramenta de aceleração para outros vereditos semelhantes em território chinês.
“Cada esforço que fazemos, cada passo adiante, por menor que seja, está construindo um futuro melhor”, afirmou a chinesa, reforçando que continuará atuando na defesa dos direitos dos animais.



