Atiradores não identificados abriram fogo de forma aleatória em Bekkersdal; autoridades ainda buscam esclarecer a motivação por trás da tragédia
A polícia da África do Sul confirmou, neste domingo (21), uma nova tragédia que resultou na morte de dez pessoas e deixou outras dez feridas em Bekkersdal, região localizada a cerca de 40 quilômetros de Joanesburgo. O episódio, marcado pela violência extrema, reacende o debate sobre a segurança pública na capital econômica do país.
Até o momento, as razões que levaram ao atentado permanecem sob investigação. O cenário descrito pelas autoridades locais aponta para uma ação indiscriminada contra transeuntes.
Dinâmica do atentado e vítimas
De acordo com as notas oficiais emitidas pelas forças de segurança, o ataque foi perpetrado por um grupo cujos integrantes ainda não foram localizados. “Algumas vítimas foram baleadas aleatoriamente na rua por homens armados não identificados”, informou a corporação em um comunicado oficial sobre a ocorrência.
Brenda Muridili, porta-voz da polícia da província de Gauteng — jurisdição que abrange tanto Joanesburgo quanto a capital administrativa, Pretória —, explicou em entrevista à agência France-Presse (AFP) que o processo de identificação dos atingidos está em andamento. Segundo ela, os investigadores ainda não possuem “informações detalhadas” sobre o perfil das vítimas ou o que teria desencadeado a investida criminosa.
Histórico recente de violência letal
O massacre em Bekkersdal ocorre pouco tempo depois de outra execução coletiva que chocou a nação. No último dia 6 de dezembro, um tiroteio em um alojamento de trabalhadores em Pretória — que funcionava como um ponto de venda de bebidas clandestino — resultou em 11 fatalidades. Entre os mortos naquela ocasião estava uma criança de apenas três anos, reforçando a gravidade da crise de segurança.
A África do Sul enfrenta desafios estruturais profundos, com a criminalidade alimentada por redes de gangues organizadas e pela corrupção. Especialistas apontam que o consumo de álcool e disputas territoriais são catalisadores frequentes para esse tipo de violência armada.
Estatísticas de criminalidade e armamento
Embora o porte de armas para proteção individual seja legalizado e comum entre a população civil sul-africana, o mercado ilegal representa o maior perigo. O volume de armamento clandestino em circulação supera significativamente os registros oficiais, facilitando a execução de crimes violentos.
Dados oficiais da polícia sul-africana revelam um cenário alarmante para os 63 milhões de habitantes do país:
- Média Diária: Cerca de 60 pessoas foram assassinadas por dia entre os meses de abril e setembro deste ano.
- Fatores de Risco: A prevalência de armas ilegais e a atuação de organizações criminosas de rua são os principais motores da taxa de homicídios.



