Análise do jornal americano aponta que o ator brasileiro pode captar votos de eleitores reticentes em apoiar candidatos mais jovens, como Timothée Chalamet, na corrida pelo prêmio de melhor ator
O jornal The New York Times destacou a competitividade da disputa pelo Oscar de melhor ator em 2026 e apontou que o brasileiro Wagner Moura, protagonista de O agente secreto, pode emergir como um nome capaz de alterar o equilíbrio da corrida. Em análise publicada na semana que antecede a cerimônia, o periódico afirmou que a atual seleção de indicados está entre as mais robustas apresentadas pela Academia nos últimos anos.
Embora o favoritismo esteja concentrado em Michael B. Jordan, premiado no Actor Awards por sua atuação em Pecadores, e em Timothée Chalamet, vencedor do Globo de Ouro de melhor ator em comédia por Marty Supreme, o veículo ressalta que Moura permanece como um candidato que não deve ser subestimado.
Momento final da temporada pode favorecer desempenho
Segundo o repórter Kyle Buchanan, responsável pela análise, a reta final da temporada de premiações costuma ter influência decisiva sobre o comportamento dos votantes da Academia.
“Normalmente vale a pena ser o último filme que os votantes assistem, pois atingir o auge no final da temporada pode dar vantagem sobre concorrentes cuja atenção começou a se dissipar”, escreveu.
O jornalista traça um paralelo entre a trajetória recente de Moura e a campanha conduzida por Fernanda Torres no ano anterior, quando a atriz ganhou projeção internacional por Ainda estou aqui. Ambos conquistaram o Globo de Ouro de atuação em drama, resultado que impulsionou suas respectivas campanhas na temporada.
Reconhecimento internacional amplia visibilidade do brasileiro
Buchanan também ressalta que, diferentemente de Fernanda Torres, Wagner Moura já possui trajetória consolidada dentro da indústria audiovisual norte-americana, fator que pode ampliar sua visibilidade entre os votantes da Academia.
“Moura é muito mais conhecido pela Academia, majoritariamente americana, do que Fernanda Torres era”, observou. “Desde seu papel de destaque em ‘Narcos’, o ator de 49 anos trabalha em Hollywood há anos, tendo participado recentemente do filme ‘Guerra Civil’ e da série policial ‘Ladrões de drogas’”.
Possível divisão de votos entre concorrentes
Na avaliação do jornalista, o ator brasileiro também pode ser beneficiado por uma eventual divisão de votos entre candidatos mais populares, especialmente entre aqueles que preferem apoiar intérpretes mais experientes.
“Assim como Ethan Hawke (indicado por ‘Blue Moon’), Moura pode se beneficiar de eleitores que relutam em apoiar um jovem concorrente como Chalamet”, escreveu Buchanan.
Apesar disso, o analista pondera que o brasileiro enfrenta limitações na reta final da campanha. “Ainda assim, mesmo que continue ganhando força nesta temporada, haverá poucas oportunidades para demonstrá-la até a cerimônia do Oscar em março. Moura não foi indicado pelo Screen Actors Guild e não conseguiu entrar na lista de pré-selecionados do BAFTA em sua categoria, então não há como ele conquistar outra grande vitória até a noite do Oscar”, concluiu.
A cerimônia do Oscar 2026 será realizada neste domingo e promete uma das disputas mais abertas dos últimos anos na categoria de melhor ator.
