Operação Rodovida contabiliza 1.172 óbitos em 66 dias; colisões frontais lideram causas fatais
Quase metade das mortes registradas nas rodovias federais brasileiras nos últimos dois meses envolveu veículos de carga. O dado foi divulgado nesta segunda-feira (23) pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), durante a apresentação do balanço da Operação Rodovida, realizada em Aracaju.
Entre 18 de dezembro e o último domingo (22), período de 66 dias, foram contabilizadas 1.172 mortes nas estradas federais. Desse total, 514 vítimas estavam em ocorrências que envolveram caminhões ou outros veículos de carga — o equivalente a 43,93% dos óbitos.
Embora representem 23,81% dos sinistros registrados — 3.149 casos ao todo — os acidentes com veículos de carga concentram parcela expressiva das fatalidades, evidenciando o potencial destrutivo desse tipo de colisão.
Colisões frontais lideram ranking de mortes
Segundo a corporação, as colisões frontais foram as mais letais entre os acidentes com caminhões, somando 288 mortes — o maior número entre as causas analisadas. A dinâmica desse tipo de batida, geralmente associada a ultrapassagens indevidas e invasão de pista contrária, amplia o risco de óbito, especialmente em rodovias de pista simples.
A Operação Rodovida teve início em 18 de dezembro do ano passado e se estendeu até 22 de fevereiro, período que compreende férias escolares e os feriados de Natal, Ano Novo e Carnaval — fases historicamente marcadas por aumento no fluxo de veículos.
Carnaval mais violento da década
Durante os dias de folia, ao menos 130 pessoas perderam a vida nas rodovias federais. De acordo com a PRF, este foi o carnaval mais violento dos últimos dez anos.
Os dados também revelaram crescimento de 8,54% no número de acidentes graves em comparação com o mesmo período anterior. A maioria das vítimas estava em automóveis de passeio e motocicletas.
Excesso de velocidade e infrações preocupam
Ao longo da operação, a fiscalização identificou pelo menos 1,2 milhão de veículos trafegando acima da velocidade permitida. Também foram registradas 58,7 mil ultrapassagens irregulares e 11,1 mil motoristas flagrados dirigindo sob efeito de álcool.
O uso de celular ao volante resultou em 9,6 mil autuações. Já 54,5 mil ocupantes foram flagrados sem cinto de segurança ou sem a cadeirinha obrigatória para crianças de até quatro anos.
Entre motociclistas, 10,3 mil circulavam sem capacete. No grupo dos motoristas profissionais — como caminhoneiros e condutores de ônibus — 17,1 mil descumpriram a chamada Lei do Descanso, que determina pelo menos 11 horas de pausa a cada 24 horas.
Segundo a PRF, o objetivo da Operação Rodovida é intensificar a fiscalização e reduzir acidentes nos períodos de maior movimentação nas rodovias federais. Apesar das ações, os números reforçam o desafio permanente de ampliar a conscientização e o respeito às normas de trânsito no país.



