Pesquisa apresentada no Congresso Europeu de Cardiologia revela associação entre imunização e queda de até 18% em eventos cardiovasculares
Um estudo global apresentado nesta semana no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC 2025), realizado em Madri, na Espanha, indica que a vacinação contra o herpes-zóster — conhecido popularmente como cobreiro — está relacionada a uma redução significativa no risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
A doença é provocada pela reativação do vírus varicela-zóster (VVZ), o mesmo que causa a catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece latente no sistema nervoso e pode se reativar, desencadeando o herpes-zóster. Estudos apontam que o VVZ pode atingir vasos sanguíneos de diferentes calibres na região da cabeça, provocando inflamação e alterações vasculares, o que aumenta a probabilidade de complicações como AVC.
A pesquisa apresentada no congresso é a primeira revisão sistemática global com meta-análise a avaliar de forma abrangente a relação entre a vacinação contra o herpes-zóster e a ocorrência de eventos cardiovasculares. Os resultados mostram uma redução de 18% no risco de infarto e AVC em adultos com 18 anos ou mais, e de 16% entre aqueles com mais de 50 anos.
Para alcançar essas conclusões, os pesquisadores analisaram três bases de dados científicas, reunindo informações de 19 estudos observacionais e ensaios clínicos randomizados de fase 3, seguindo as diretrizes da Cochrane. Em nove desses estudos, 53,3% dos participantes eram homens, e em sete deles, as idades médias variavam entre 53 e 74 anos.
Apesar dos resultados promissores, os autores do estudo alertam para limitações metodológicas. “Embora nossas descobertas sejam encorajadoras, existem algumas limitações nos dados disponíveis que estudamos. Quase todas as evidências vieram de estudos observacionais, que são propensos a vieses e não devem ser usados para inferir causalidade. Todos os estudos utilizados na meta-análise tiveram como objetivo principal investigar o uso da vacina contra herpes zoster para prevenir o herpes zoster na população em geral, o que pode limitar a capacidade de generalizar esta pesquisa para pessoas com maior risco de eventos cardiovasculares. Isso demonstra a necessidade de mais pesquisas nesta área”, afirmou Charles Williams, diretor médico de assuntos globais de vacinas da GSK e autor da pesquisa.
A Sociedade Europeia de Cardiologia reforça que, embora estudos anteriores já tenham identificado um aumento transitório no risco de AVC e infarto após episódios de herpes-zóster, ainda não há confirmação definitiva de que a vacinação contra a doença seja capaz de reduzir diretamente os riscos cardiovasculares.