Flagrante na “Garganta do Diabo” mostra criança sendo erguida além das grades de proteção a 80 metros de altura; autoridades argentinas avaliam sanções severas, incluindo multa e banimento de parques nacionais
Uma cena de imprudência extrema nas Cataratas do Iguaçu, uma das sete maravilhas naturais do mundo, paralisou as redes sociais e acionou o alerta das autoridades fronteiriças nesta semana. Um vídeo, que rapidamente se tornou viral, registrou o momento em que um turista — cuja nacionalidade ainda não foi confirmada — ergue um bebê por cima das grades de proteção da passarela principal, suspendendo-o diretamente sobre o precipício da Garganta do Diabo.
O ato, realizado para o que parece ter sido uma tentativa de fotografia “perfeita”, ocorreu a uma altura de aproximadamente 80 metros, onde o volume de água e a força das correntes tornariam qualquer queda fatal.

Bebê é colocado acima das grades de proteção para foto — Foto: Reprodução/ Rede Sociais
A anatomia do perigo nas passarelas
As passarelas das Cataratas, especialmente no lado argentino (Puerto Iguazú), são projetadas para resistir a cheias históricas, mas as grades de segurança possuem uma função clara: manter o centro de gravidade dos visitantes dentro da área estrutural. Ao projetar o bebê para fora do limite metálico, o homem anulou todas as camadas de proteção oferecidas pelo parque.
A reação na internet foi imediata e visceral. Milhares de usuários classificaram a atitude como “negligência criminosa” e “exposição desnecessária ao perigo”. Especialistas em segurança de parques nacionais reforçam que a pressão do spray de água e o piso frequentemente úmido e escorregadio aumentam drasticamente o risco de perda de equilíbrio ou de aderência.
Consequências jurídicas e administrativas
A administração do Parque Nacional Iguazú, na Argentina, informou que está analisando as imagens para identificar o responsável. O caso não é tratado apenas como uma infração ética, mas como uma violação grave das normas de segurança dos parques federais.
- Sanções Previstas: O autor pode ser multado por conduta temerária e sofrer expulsão imediata do parque.
- Banimento: Em casos de reincidência ou gravidade extrema, autoridades argentinas podem proibir a entrada do indivíduo em qualquer unidade de conservação do país por tempo indeterminado.
- Zeladoria Compartilhada: O episódio levanta o debate sobre a necessidade de fiscalização presencial mais rígida em pontos críticos, embora os guias locais ressaltem que o bom senso deveria ser a primeira barreira de proteção.
Turismo de risco e a “Ditadura do Clique”
O incidente nas Cataratas do Iguaçu é mais um capítulo de uma tendência global preocupante, onde a busca por engajamento em plataformas digitais supera o instinto de preservação. Autoridades de turismo em todo o mundo têm relatado um aumento em acidentes graves — muitos fatais — envolvendo selfies em locais proibidos ou manobras arriscadas em penhascos e monumentos.
Até o momento, a administração do parque não emitiu uma nota oficial sobre a identificação do turista, mas reforçou que “a segurança dos visitantes é uma responsabilidade compartilhada e as regras de conduta nas passarelas não são opcionais”.



