Novo organismo internacional conta com a adesão inicial de 35 países; embora o presidente americano prometa cooperação com a ONU, iniciativa gera debates sobre autonomia geopolítica
Em um movimento que promete reconfigurar as relações multilaterais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (22 de janeiro de 2026) a carta de fundação do Conselho da Paz. A cerimônia ocorreu durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, e marca o nascimento de uma nova entidade internacional sob a liderança de Washington.
Apesar de Trump ter sinalizado que o organismo pretende atuar de forma conjunta com as Nações Unidas, analistas internacionais observam o movimento com cautela. Declarações prévias do mandatário sugerem que o Conselho pode servir como uma alternativa à estrutura atual da ONU, oferecendo uma plataforma onde a influência americana seja mais direta e menos sujeita a impasses burocráticos globais.
A institucionalização do novo bloco
A oficialização do Conselho da Paz foi celebrada com o status de um marco histórico pela Casa Branca. Durante o evento, que contou com a presença de diversos chefes de Estado, a secretária de imprensa, Karoline Leavitt, declarou a vigência imediata do pacto:
“A carta entra agora em vigor, e o Conselho da Paz passa a ser oficialmente uma organização internacional”.
De acordo com informações do governo americano, o convite para integrar o bloco foi estendido a cerca de 50 líderes globais. Até o momento, ao menos 35 nações confirmaram adesão ao projeto. Trump aproveitou o palanque em Davos para reiterar que as portas permanecem abertas a novos membros, afirmando que todos os países são bem-vindos para aderir à iniciativa.
Desafios e coordenação com a ONU
Um dos pontos de maior fricção diplomática reside na relação entre o novo Conselho e a Organização das Nações Unidas (ONU). Trump assegurou que o organismo vai atuar “em coordenação” com a entidade sediada em Nova York. Entretanto, a retórica recorrente do presidente americano em relação à “ineficiência” de órgãos multilaterais tradicionais levanta dúvidas sobre se o Conselho da Paz será um complemento ou um competidor direto no arbitramento de conflitos globais.
A estratégia de Washington parece focar na agilidade decisória, reunindo parceiros estratégicos que compartilham de visões geopolíticas semelhantes, o que pode fragmentar ainda mais o consenso internacional em temas sensíveis de segurança e paz.



