Presidente dos EUA alerta Teerã sobre detenções em meio a protestos, enquanto autoridades iranianas falam em julgamentos sumários e ONGs relatam milhares de mortos
Alerta da Casa Branca
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (13) que adotará “ações muito fortes” caso o Irã avance com a execução de pessoas presas durante os protestos que se espalham pelo país. Questionado sobre a possibilidade de punições imediatas, Trump declarou que Washington reagirá com firmeza diante de qualquer medida desse tipo.
A manifestação ocorre em um momento de crescente pressão internacional sobre Teerã, acusado por entidades de direitos humanos de intensificar a repressão contra opositores do regime.
Denúncias de condenações
A organização Iran Human Rights (IHR) informou que Erfan Soltani, de 26 anos, foi detido na cidade de Karaj, próxima a Teerã, e, segundo familiares, já teria sido condenado à morte, com risco de execução iminente.
As denúncias reforçam a preocupação de entidades internacionais sobre a condução dos processos judiciais no país, marcados por falta de transparência e de garantias legais.
Justiça iraniana fala em julgamentos rápidos
O chefe do Judiciário iraniano, Gholamhossein Mohseni-Ejei, anunciou a adoção de julgamentos sumários contra pessoas detidas nos protestos. Segundo ele, eventuais punições devem ser aplicadas de forma rápida para produzir impacto político e social.
O Ministério Público de Teerã informou ainda que parte dos manifestantes será acusada de moharebeh — termo que significa “guerra contra Deus” — uma das imputações mais severas no sistema jurídico iraniano, que pode resultar em pena máxima.
ONGs relatam milhares de mortos
Organizações não governamentais estimam que cerca de 2.600 pessoas tenham morrido desde o início das manifestações, em 28 de dezembro. De acordo com a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HRANA), 2.403 vítimas seriam manifestantes e 147 estariam ligadas às forças do regime.
Entre os mortos, segundo a entidade, estão 12 crianças e nove civis que não participavam diretamente dos protestos. O número de detidos ultrapassaria 18 mil pessoas.
Bloqueio de informações dificulta verificação
A apuração independente dos dados é prejudicada pelo bloqueio da internet no país, iniciado em 8 de janeiro. Embora chamadas telefônicas do Irã para o exterior tenham sido parcialmente restabelecidas, a comunicação no sentido inverso segue limitada.
Ativistas informaram que a empresa Starlink, controlada por Elon Musk, passou a disponibilizar acesso gratuito à internet via satélite em território iraniano, como forma de contornar as restrições impostas pelo governo.
Escalada de tensões com os Estados Unidos
Em resposta às declarações de Trump, o ministro da Defesa do Irã, Aziz Nafizardeh, afirmou que o país reagirá contra bases americanas no Oriente Médio caso seja alvo de qualquer ofensiva militar. Segundo ele, Teerã não aceitará ações externas sem retaliação.
A missão iraniana na Organização das Nações Unidas acusou Washington de buscar pretextos para uma intervenção militar, alegando que sanções, ameaças e instabilidade interna fariam parte de uma estratégia para promover a mudança de regime.
Histórico recente de confrontos
No ano passado, os Estados Unidos atacaram instalações nucleares iranianas em uma operação que, segundo Teerã, resultou em mais de mil mortes, a maioria de civis. O Irã respondeu com um ataque a uma base americana no Catar, que teve impacto limitado.
O país é atualmente o segundo no mundo em número de execuções, atrás apenas da China, conforme dados de organizações humanitárias. Em 2025, ao menos 1.500 pessoas foram executadas, segundo a ONG Iran Human Rights. Durante os protestos de 2022 e 2023, ao menos 12 manifestantes também foram mortos após condenações judiciais.



