Presidente dos EUA intensifica retórica contra a ilha após prisão de Nicolás Maduro e amplia pressão sobre governos latino-americanos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (11) que Cuba deverá “fazer um acordo” com Washington ou enfrentar novas e severas consequências, incluindo o fim do envio de petróleo e recursos financeiros provenientes da Venezuela. A declaração ocorre em meio ao reposicionamento da política externa americana para a América Latina após a prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas, no início do mês.
Segundo estimativas citadas pelo próprio Trump, a Venezuela fornece atualmente cerca de 35 mil barris de petróleo por dia a Cuba, fluxo que, de acordo com o presidente, será interrompido.
Em publicação na rede Truth Social, Trump declarou que Havana teria sustentado seu regime por anos com apoio venezuelano em troca de serviços de segurança prestados aos governos de Caracas. “Isso acabou. Não haverá mais petróleo nem dinheiro para Cuba — zero”, escreveu, sem detalhar quais seriam os termos do acordo exigido.
Operação na Venezuela amplia tensão regional
Trump voltou a mencionar a operação militar e de inteligência que resultou na prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, ambos acusados de tráfico de drogas e outros crimes em tribunais americanos. O presidente afirmou que Cuba mantinha agentes responsáveis pela segurança pessoal do líder venezuelano.
O governo cubano informou que 32 cidadãos da ilha morreram durante a ação dos EUA em Caracas. Trump, por sua vez, afirmou que esses agentes integravam o aparato de proteção do regime venezuelano e que a Venezuela agora estaria sob a proteção direta das Forças Armadas americanas.
“A Venezuela tem agora as forças armadas mais poderosas do mundo para protegê-la”, declarou o presidente.
Havana reage com discurso de resistência
Até o momento, o governo cubano não respondeu oficialmente às novas ameaças. Em declarações anteriores, o presidente Miguel Díaz-Canel afirmou que os 32 cubanos mortos seriam homenageados como combatentes que enfrentaram o que chamou de “terroristas em uniformes imperiais”.
Trump, por outro lado, afirmou que uma intervenção militar em Cuba não seria necessária, por considerar que o regime estaria “prestes a cair”.
Rubio entra no centro do discurso político
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reforçou recentemente o tom de pressão ao afirmar que os líderes cubanos “deveriam estar preocupados”. Trump também compartilhou uma publicação sugerindo que Rubio, filho de exilados cubanos, poderia vir a se tornar presidente de Cuba, comentário que o próprio Trump classificou como “uma boa ideia”.
Crise energética se agrava em Cuba
A estratégia americana de confiscar petroleiros venezuelanos já sancionados tem contribuído para aprofundar a crise de combustível e de eletricidade em Cuba, segundo analistas internacionais. A dependência energética da ilha em relação à Venezuela torna o impacto das medidas ainda mais sensível.
Doutrina Monroe reformulada
Trump tem apresentado sua política externa sob uma releitura da Doutrina Monroe, de 1823, defendendo a supremacia dos Estados Unidos no hemisfério ocidental. O presidente passou a chamá-la de “Doutrina Donroe”, em referência direta ao seu sobrenome.
Desde a prisão de Maduro, o foco da Casa Branca se expandiu para outros países da região.
Pressão sobre Colômbia e México
O presidente americano afirmou que uma eventual operação militar contra a Colômbia “soa bem” e voltou a alertar o presidente Gustavo Petro, alvo de sanções impostas em outubro sob a acusação de permitir a atuação de cartéis.
Em relação ao México, Trump declarou que as drogas estariam “inundando” o país e disse ter se oferecido para enviar tropas americanas. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, rejeitou publicamente qualquer ação militar estrangeira em território nacional.
Histórico de relação conturbada
As relações entre Estados Unidos e Cuba permanecem tensas desde a Revolução Cubana, em 1959. Houve avanços diplomáticos durante o governo Barack Obama, posteriormente revertidos por Trump em seu primeiro mandato.
No início de seu segundo mandato, Trump voltou a classificar Cuba como Estado patrocinador do terrorismo, revertendo decisão adotada poucos dias antes pelo então presidente Joe Biden.
O novo endurecimento do discurso indica que a ilha deve permanecer no centro da estratégia americana para a América Latina nos próximos meses, em um cenário de crescente instabilidade política e diplomática na região.

