Oropouche, gripe aviária H5N1 e mpox concentram atenção de especialistas diante do risco de surtos ampliados
A vigilância sanitária internacional acompanha com atenção três vírus que, segundo epidemiologistas, reúnem características capazes de provocar novas crises de saúde pública em 2026: o vírus de Oropouche, a gripe aviária H5N1 e a mpox. Embora cada um tenha dinâmica própria de transmissão, todos compartilham um ponto em comum — potencial de expansão em cenários de baixa imunidade coletiva, mudanças ambientais e mobilidade global intensa.
Autoridades alertam que o mundo vive uma fase de transição epidemiológica, marcada pela circulação simultânea de diferentes patógenos. A capacidade de resposta rápida, aliada à vigilância genômica e ao fortalecimento da atenção primária, é considerada decisiva para evitar que surtos regionais evoluam para emergências internacionais.
🦟 Oropouche: avanço silencioso em áreas urbanas
O vírus de Oropouche, transmitido principalmente por mosquitos e maruins, tem registrado expansão em países da América Latina, incluindo o Brasil. Tradicionalmente associado a áreas amazônicas, o patógeno passou a ser identificado também em centros urbanos, o que amplia o risco de disseminação.
Os sintomas incluem febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulares, quadro que pode ser confundido com dengue ou chikungunya. Especialistas destacam que a ausência de vacina e a semelhança clínica com outras arboviroses dificultam o diagnóstico rápido.
Fatores como desmatamento, urbanização acelerada e alterações climáticas favorecem a circulação do vetor, criando ambiente propício para novos surtos.
🐔 Gripe aviária H5N1: risco de adaptação ao ser humano
A gripe aviária causada pelo subtipo H5N1 é monitorada globalmente há anos devido à sua alta letalidade em humanos. Embora a transmissão entre pessoas ainda seja limitada, cientistas alertam que mutações podem aumentar a capacidade de contágio sustentado.
Casos esporádicos em humanos, geralmente associados ao contato direto com aves infectadas, reforçam a necessidade de vigilância constante. O temor das autoridades sanitárias é que uma eventual adaptação eficiente do vírus ao organismo humano possa desencadear um novo cenário pandêmico.
A circulação do vírus em aves silvestres e criações comerciais amplia a complexidade do controle sanitário, especialmente em países com grande produção avícola.
🧬 Mpox: circulação persistente e novos padrões de transmissão
A mpox, anteriormente conhecida como varíola dos macacos, voltou ao centro das atenções após surtos registrados fora da África a partir de 2022. Embora os casos tenham diminuído em comparação ao pico inicial, a doença continua presente em diferentes regiões.
Transmitida principalmente por contato próximo com lesões ou fluidos corporais, a mpox apresenta sintomas como febre, mal-estar e erupções cutâneas características. A existência de vacinas e tratamentos específicos reduziu a gravidade média dos casos, mas a baixa cobertura vacinal em algumas populações mantém o risco de reemergência.
Especialistas observam que mudanças nos padrões de comportamento e na mobilidade internacional podem favorecer novas cadeias de transmissão.
Preparação é a principal estratégia
Para pesquisadores e autoridades de saúde, a possibilidade de novas crises em 2026 não significa inevitabilidade, mas reforça a necessidade de preparo contínuo. Investimentos em monitoramento epidemiológico, cooperação internacional e campanhas de conscientização são apontados como ferramentas essenciais.
A experiência recente com pandemias demonstrou que a rapidez na identificação de surtos e a transparência na comunicação são determinantes para conter a propagação de doenças infecciosas.



