Moraes garante assistência médica integral ao ex-presidente em nova unidade prisional
Pressão da família por mudança no regime
Após a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal — conhecido como Papudinha — por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), os filhos do ex-chefe do Executivo intensificaram os pedidos para que ele retorne à prisão domiciliar.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já vinha criticando as condições de permanência do pai na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. O parlamentar classificou o tratamento como “tortura psicológica”, afirmando que “nem pedófilo, estuprador e chefe de facção têm tratamento tão desumano assim”.
Com a transferência, Flávio relembrou o episódio em que Bolsonaro sofreu uma queda após acordar desorientado. “Os remédios que Bolsonaro toma para seu atual problema crônico de soluços têm efeitos colaterais como desequilíbrio e sonolência. Concretamente, já teve uma queda em que bateu com a cabeça. Graças a Deus não foi nada grave, mas poderia ter sido. Poderia, sim, ter sido encontrado morto — SOZINHO — na cela da Polícia Federal”, escreveu. O senador concluiu pedindo que “a lei seja cumprida” e que o pai seja transferido para casa, “o único local onde esse risco de queda pode ser amenizado”.
Determinação do STF
No despacho, Moraes estabeleceu que Bolsonaro terá assistência médica integral, 24 horas por dia, com profissionais previamente cadastrados, sem necessidade de comunicação prévia. O ministro também autorizou deslocamentos imediatos para hospitais em caso de urgência, com comunicação ao STF em até 24 horas. Além disso, foram liberadas sessões de fisioterapia e alimentação especial diária, sob responsabilidade de pessoa indicada pela defesa.
Críticas de Carlos e Eduardo Bolsonaro
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) reforçou as críticas, afirmando: “Não se trata apenas da condenação de um ex-presidente, mas de um cenário que revela a fragilização de garantias jurídicas, rigor penal seletivo e desprezo para com as condições humanas e de saúde do condenado”. Para ele, a transferência configura um “confronto institucional”.
Já o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reiterou que não houve crime ou tentativa de golpe, atribuindo a condenação a motivações políticas. “Alexandre de Moraes não quer que ele tenha influência sobre as eleições deste ano. Este é o real motivo político pelo qual o ministro não cede em enviar Bolsonaro para a prisão domiciliar, o que já seria injusto por si só”, declarou.


